Table of Contents Table of Contents
Previous Page  106 / 332 Next Page
Information
Show Menu
Previous Page 106 / 332 Next Page
Page Background

106

Protagonismo e resistência dos Waimiri-Atroari na Amazônia

manifestar nossas boas intenções. Quando ocorre

de aparecerem nos postos indígenas grupos de sil-

vícolas, são dados alimentos e realizadas trocas de

artefatos indígenas por ferramentas, como macha-

dos, terçados, vergalhões, panelas, colheres, brin-

cos, colares, pulseiras e demais bijuterias. Após es-

tas trocas, levamo-los até ao poro da maloca, e, às

vezes, até à maloca, onde permanecemos o tempo

que eles desejam (RELATÓRIO FRENTE DE ATRA-

ÇÃO, 1973, p. 13).

Ainda de acordo com o relatório do sertanis-

ta, não existia uma preparação direta para o trato

com os índios, toda prática era composta das pró-

prias experiências que cada um tinha acumulado ao

longo do tempo, alguns inclusive tendo servido ao

SPI, extinto em 1967. Os sertanistas que participa-

vam das frentes de atração promovidas pela FUNAI,

de acordo com o documento “são comumente vaci-

nados contra o tifo e varíola, e tomam preventivos

contra a malária” (Ibid., p. 13).

Apesar das justificativas de Gilberto Pinto e

em seu relatório constar uma possível preocupação

(não se sabe se com ele ou com os índios), em manter

os funcionários imunizados da ameaça de possíveis

doenças endêmicas como foi citado, dois anos antes

deste Relatório ser produzido, já havia ocorrido um

surto de sarampo no território dos Waimiri- Atroari,

descrito em um Relatório feito pela atendente de

enfermagem da FUNAI Leonida Egufe, em maio de

1981. No documento consta que houve um surto de

sarampo na maloca Yawacá, onde morreram vinte

e um índios, entre crianças e adultos. Leonida faz o

seguinte relato:

Se ante-mão [sic] quero deixar bem claro que a

saúde dos indígenas os quais residem na maloca

YAWACÁ, era uma maravilha, a não ser algumas

doenças que sempre aparecem, como por exem-

plo uma simples gripes que são sanadas por aqui