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Protagonismo e resistência dos Waimiri-Atroari na Amazônia
A política indigenista praticada pela FUNAI,
nessa época, foi denunciada em um dos artigos pu-
blicados no
Blog
da Casa de Cultura do Urubuí
45
,
localizada no Município de Presidente Figueiredo,
a 107 km de distância de Manaus, por Egydio
Schwade, vejamos:
Para a implantação “pacífica” dos projetos de inte-
resse dos militares na área, convinha que a políti-
ca da FUNAI colaborasse para manter as vítimas
remanescentes isoladas da opinião pública, de
pesquisadores e do movimento popular indigenis-
ta, por serem estes os mais exigentes na busca de
informações sobre o que ocorreu aos mais de 2000
Kiña simplesmente desaparecidos. Assim a FUNAI
colaborou em manter ocultos os criminosos (SCH-
WADE, 2012, p. 1).
Corroborando com este entendimento, a pró-
pria FUNAI reconheceu por meio do Ofício nº 30,
do Departamento Geral do Patrimônio Indígena -
DGPI /FUNAI, no dia 24 de fevereiro de 1971, as-
sinado pelo o seu presidente na ocasião, o General
Oscar Gerônimo Bandeira de Mello, a existência das
Frentes de Atração desde o ano de 1968 na terra
indígena Waimiri-Atroari, inicialmente com a missão
Calleri e, posteriormente, sua continuidade com o
sertanista Gilberto Pinto. Desta forma o documento
apontou:
Desde 1968, a recém-criada FUNAI, vem conse-
guindo penoso contato com esses índios, mercê a
confiança que neles despertou a ação dos nossos
sertanistas, atualmente as únicas pessoas aceitas
pelo chefe Maroaga, líder desses grupos. A prova
dessa situação foi a desgraça que se abateu sobre
os nove elementos da Expedição do Padre Calleri,
todos massacrados justamente às margens do Iga-
rapé Santo Antônio. De lá para cá, apesar deste ne-
45 A Casa da Cultura do Urubuí foi fundada pelo casal Egydio e Doroti
Alice Müller Schwade, em Presidente Figueiredo – AM.




