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Eduardo Gomes da Silva Filho

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mesmo no Posto ou um caso que sendo grave ocu-

pamos o Médico do 6º BEC, e conforme a receita

indicada tratamos os pacientes (RELATÓRIO DE

SARAMPO NA T.I WAIMIRI-ATROARI, 1981, p. 1).

A atendente de saúde fornece pistas sobre

o estado de saúde dos índios antes da ação do 6º

BEC. O exame do documento revela que “a partir de

06/04/1981 as coisas se modificaram seriamente”

(Ibid., p. 1).

Uma criança Waimiri apresentou sintomas

do sarampo, sendo levado à Manaus e internada.

Logo em seguida, uma série de outros casos come-

çou a surgir na maloca, como aponta a atendente

de enfermagem: “veio o segundo caso e não tive ou-

tra alternativa, levei-os pacientes até o 6º BEC, e o

Médico nos informou que era SARAMPO, [

sic

][...]”

(Ibid., p. 1). Muitos índios com sarampo foram leva-

dos para a cidade de Manaus, onde ficaram alojados

na Casa do Índio, mas quando dois deles morreram

em decorrência do agravamento da doença. “A Casa

do Índio, começou a botar dificuldade, informando

que não tinha condição de alojar nossos indígenas

Waimiri-Atroaris” (Ibid., p. 1).

A negligência por parte da administração da

Casa do Índio de Manaus, de acordo com notícias

que circulavam na imprensa em alguns periódicos

da época, já era uma prática habitual.

50

Atrelado a

isso, somam-se as dificuldades encontradas e relata-

das pela atendente de enfermagem, entre as princi-

pais queixas estão à falta de pessoal e de suprimen-

50 A falta de atendimento médico junto aos indígenas por parte da Casa

do Índio de Manaus costuma ser objeto de reiteradas críticas através

dos jornais locais. Veja, por exemplo, matéria publicada no Jornal A

Crítica, de 13 de agosto de 1981, “FUNAI expulsa Apurinã da Casa do

Índio”. Segundo o articulista: “Funcionários da Funai expulsaram on-

tem cinco índios Apurinã, que estavam em busca de ajuda, da Casa

do Índio, obrigando-os a tomar uma kombi e retornar para a aldeia”

(A CRÍTICA, 1981).