Table of Contents Table of Contents
Previous Page  98 / 332 Next Page
Information
Show Menu
Previous Page 98 / 332 Next Page
Page Background

98

Protagonismo e resistência dos Waimiri-Atroari na Amazônia

o seu território, frente às sucessivas tentativas do

Estado brasileiro em desterritorializa-los.

As tentativas de atração e pacificação

Na apresentação de sua obra “É a FUNAI que

sabe: A Frente de Atração Waimiri-Atroari”, fruto da

sua pesquisa de doutorado junto ao povo Waimiri-

Atroari, o Antropólogo da Universidade de Brasília

– UnB, Stephen Grant Baines argumenta:

A situação em que os Waimiri-Atroari se encon-

travam só pode ser compreendida ao se levar em

conta a longa história violenta de contato, docu-

mentada desde os meados do século passado. A

subordinação desse grupo indígena culmina com

a construção da BR 174 (que liga o Amazonas a

Roraima, atravessando seu território) e a ocupação

deste por uma Frente de Atração da FUNAI, apoia-

da pelo Exército (BAINES, 1991, p. 25).

De fato, as primeiras tentativas da FUNAI e

do governo de “pacificá-los”, fracassaram ainda com

a missão Calleri. Entre outras coisas, esse fracas-

so deve ser creditado, em parte, à postura colonial

adotada pelo órgão em relação aos índios. Em men-

sagem enviada via rádio, em 26 de outubro de 1968,

o próprio Calleri subscreve esse percepção etnocên-

trica: “o índio bem sabe que isso está no nosso di-

reito de gente superior” (COMITÊ DA VERDADE DO

AMAZONAS, 2014, p. 96).

A atitude do Padre era a mesma que o DER -

AM e o Exército tinham, ou seja, de que os brancos

eram superiores aos índios, a sociedade nacional su-

perior à organização social Waimiri-Atroari e o proje-

to nacional justificava a imposição de alterações no

modo de vida dos índios.

Para que isso fosse possível, após as inú-

meras manifestações de resistência dos índios, foi