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Protagonismo e resistência dos Waimiri-Atroari na Amazônia
o seu território, frente às sucessivas tentativas do
Estado brasileiro em desterritorializa-los.
As tentativas de atração e pacificação
Na apresentação de sua obra “É a FUNAI que
sabe: A Frente de Atração Waimiri-Atroari”, fruto da
sua pesquisa de doutorado junto ao povo Waimiri-
Atroari, o Antropólogo da Universidade de Brasília
– UnB, Stephen Grant Baines argumenta:
A situação em que os Waimiri-Atroari se encon-
travam só pode ser compreendida ao se levar em
conta a longa história violenta de contato, docu-
mentada desde os meados do século passado. A
subordinação desse grupo indígena culmina com
a construção da BR 174 (que liga o Amazonas a
Roraima, atravessando seu território) e a ocupação
deste por uma Frente de Atração da FUNAI, apoia-
da pelo Exército (BAINES, 1991, p. 25).
De fato, as primeiras tentativas da FUNAI e
do governo de “pacificá-los”, fracassaram ainda com
a missão Calleri. Entre outras coisas, esse fracas-
so deve ser creditado, em parte, à postura colonial
adotada pelo órgão em relação aos índios. Em men-
sagem enviada via rádio, em 26 de outubro de 1968,
o próprio Calleri subscreve esse percepção etnocên-
trica: “o índio bem sabe que isso está no nosso di-
reito de gente superior” (COMITÊ DA VERDADE DO
AMAZONAS, 2014, p. 96).
A atitude do Padre era a mesma que o DER -
AM e o Exército tinham, ou seja, de que os brancos
eram superiores aos índios, a sociedade nacional su-
perior à organização social Waimiri-Atroari e o proje-
to nacional justificava a imposição de alterações no
modo de vida dos índios.
Para que isso fosse possível, após as inú-
meras manifestações de resistência dos índios, foi




