Eduardo Gomes da Silva Filho
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A BR 174: DESTERRITORIALIZAÇÃO E
RESISTÊNCIA INDÍGENA
A BR 174: Cobiça internacional, aparelhos de
desterritorialização e resistência
“Não importa dizer e pouca gente sabe dis-
so, que por trás de todo o projeto e construção da
estrada Manaus – Boa Vista, cometia-se disfarça-
da e inconscientemente o passo mais propício para
a extinção definitiva dos índios Waimiri-Atroari,”
(MAREWA, 1983, p. 11). São com estas palavras de
preocupação e alerta que Egydio Schwade denuncia
no seu relatório, produzido em 1983, as arbitrarie-
dades que foram cometidas pelo poder governamen-
tal ao povo Waimiri-Atroari durante a construção da
BR 174.
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Foi por meio de um convênio com o ex-
tinto Departamento Nacional de Estradas e
Rodagem - DNER, hoje Departamento Nacional
de Infraestrutura de Transportes – DNIT, que o 6º
Batalhão de Engenharia de Construção – BEC deu
início aos primeiros trabalhos para a construção da
BR 174 e 401. A primeira liga Manaus – Boa Vista
no sentido Sul e Boa Vista – Pacaraima, na fronteira
com a Venezuela no sentido Norte; a segunda liga
Boa Vista ao município de Bonfim, na fronteira com
a Guiana.
40 Os grandes projetos de infraestrutura são elaborados e implantados
a partir de ações antrópicas motivadas pelos planos governamentais,
sob o
slogan
“progresso”, mostraram-se incoerentes com a realidade
da Amazônia e manifestam os reflexos até os dias atuais. Esses re-
flexos são: a alta concentração fundiária, ocupação desordenada de
terras públicas, expropriação de populações tradicionais, invasão de
terras indígenas e desmatamentos, principalmente na segunda meta-
de do século XX.




