Eduardo Gomes da Silva Filho
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parecido (JORNAL DA TARDE, 1968).
Em 26 de novembro de 1968, o Jornal O
Estado de São Paulo também havia dado ênfase às
buscas feitas pelo PARASAR, em matéria denomi-
nada: “
PARASAR não encontrou os corpos
” (ESTADO
DE SÃO PAULO, 1968).
Contudo, o pior ainda estava por vir, versões
fantasiosas surgiam a todo o momento, inclusive
apontando que os índios “
seriam chefiados por um
branco
” (JORNAL DA TARDE, 1968, p. 2). Outras
contradições são apontadas a partir do depoimen-
to do mateiro que sobreviveu à expedição, a edição
do Jornal do Brasil, de 30 de novembro de 1968,
trouxe a seguinte notícia: “
FAB volta a ouvir mateiro
que mentiu da primeira vez
” (JORNAL DO BRASIL,
1968). Segundo o padre Silvano Sabatini (1998),
vários objetos encontrados na bagagem do mateiro,
que segundo o padre, esses objetos pertenciam a
membros da expedição Calleri, o próprio padre en-
tregou-os à polícia, no entanto, não foram examina-
dos e desapareceram.
Sabatini (1998), ainda ressalta que, no dia
30 de novembro de 1968, os restos mortais da mis-
são Calleri são apresentados na base de resgate de
Moura no Rio Negro. A mídia continuava explorando
o caso, em 15 de dezembro 1968, o Jornal O Estado
de São Paulo, publicou a seguinte matéria “Fiscal
trás fatos que incriminam os brancos” (O ESTADO
DE SÃO PAULO, 1968).
Porém, mesmo com todas as denúncias fei-
tas na época, além das suspeitas da participação do
mateiro “No dia 4 de maio de 1969, o delegado José
Ribamar Soares Afonso, encerrou o inquérito con-
cluindo que não houvera participação de brancos no
episódio. O inquérito foi enviado à Justiça e arquiva-
do” (SABATINI, 1998, p. 182).




