Eduardo Gomes da Silva Filho
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interesse na continuidade das obras da rodovia em
terras indígenas, como apontou a matéria acima. O
alinhamento da FUNAI com o DER - AM reforça esta
tese, fato que podemos observar na edição do dia
18 de junho de 1968, do Jornal do Comércio, que
diz “DER - AM pacificará índios no caminho da es-
trada Manaus-Venezuela”, a esse respeito o Jornal
destacou:
Enquanto isso prosseguia e prossegue o desma-
tamento da estrada [...], na direção do rio Alalaú.
Mas chegou a um ponto, que se impõe adotar uma
solução de efeito imediato. Nessas condições, en-
tendi-me com a Fundação Nacional do Índio. Com
o seu titular, Dr. Francisco Queiroz, estudamos
várias alternativas, contando com a cooperação
dos especialistas Gaspar Malcher e Alberto Pizarro
Jacobina. Ficou decidido, formalmente, que esta-
beleceríamos um plano de trabalho a curto, médio
e a longo-prazo (JORNAL DO COMÉRCIO, 1968).
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A indiferença da FUNAI frente ao ocorrido
com a expedição do Padre Calleri era latente, no
entanto, o interesse que a mesma tinha no avanço
das obras no território indígena parecia muito mais
amplo, mesmo surgindo notícias na mídia de possí-
veis ataques de “brancos” à expedição, ela continuou
com essa postura. No dia 13 de dezembro de 1968,
o Jornal Folha de São Paulo publicou a seguinte no-
tícia “Relatório da FAB sobre massacre aponta pre-
sença de brancos entre os Atroaris” e continua:
O ten. Ribas afirma que o depoimento do mateiro
que escapou à chacina é bastante claro: ele diz ter
visto um branco no meio dos índios. Informa tam-
bém o relatório que, por ocasião de conflito ante-
rior entre os “Atroaris”, apareceram dois corpos de
homens brancos entre os de índios. Esses dois fo-
37 Esse depoimento foi feito por Mauro Carijó, Diretor Geral do
Departamento de Estradas de Rodagem – Amazonas, ao Jornal do
Comercio, em 18 de junho de 1968.




