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Protagonismo e resistência dos Waimiri-Atroari na Amazônia
dos arraigados entre a população regional eram ati-
vados através da cobertura dos jornais, repercutindo
na geração de um desejo de retaliação por parte da
opinião pública.
A análise do Relatório indica a montagem de
uma estratégia da FUNAI de forma conjunta com
a ação governamental, para abrir caminho para os
grandes projetos no território indígena. A esse res-
peito o Relatório aponta: “Quanto às provas com re-
lação a tal afirmativa, é fácil, basta recorrer às decla-
rações da FUNAI, que através da imprensa afirma:
Waimiri e Atroari estão integrados” (Ibid., p.1).
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Embora o discurso da FUNAI seja outro, al-
gumas matérias da época corroboram com o que diz
o Relatório, como exemplo, temos a edição do Jornal
do Brasil, de 27 de dezembro de 1968, que trouxe
a seguinte matéria “
Funai ignora expedição de mi-
litares para investigar massacre da Missão Calleri
”,
vejamos:
A Fundação Nacional do Índio, ignora a formação
de uma expedição de militares especializados em
guerra nas selvas e de soldados da Polícia Militar
do Amazonas, para investigar, na terra dos atroa-
ris, em Roraima, o que aconteceu com a missão pa-
cificadora do padre João Calleri. [...] a Funai deseja
que a estrada Manaus-Caracaraí recomece a ser
construída, partindo uma nova frente de trabalho
dessa última localidade, isto é, no sentido norte-sul
(JORNAL DO BRASIL, 1968).
Muito embora os argumentos da FUNAI es-
tejam pautados em um discurso de proteção aos ín-
dios, o mesmo se mostra contraditório, na medida
em que a instituição também demonstra o absoluto
36 O discurso do índio a integração nacional, já havia sido ratificado
pela FUNAI desde a criação do Estatuto do Índio, em 1973, como
parte da expansão de uma estratégia governamental como indicou o
Relatório.




