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Protagonismo e resistência dos Waimiri-Atroari na Amazônia
simples raciocínio: - que a responsabilidade não
pode ser a mesma para eles,
simples caçadores
primitivos das selvas
, e para nós – filhos de uma
civilização que passou por todos os progressos do
espírito humano! (BANDEIRA, 2009, p. 50, grifos
nossos).
A perspectiva de análise que se abre a par-
tir do campo de visão do autor nos remete a tudo o
que queremos desconstruir neste trabalho, ou seja,
que os índios seriam seres martirizados e primitivos.
Ao contrário desta hipótese, entendemos que os ín-
dios foram protagonistas ao longo de suas histórias
a partir de suas práticas de resistências.
No entanto, Darcy Ribeiro (2006) incidiu no
mesmo erro, na medida em que considerou que uma
nova etnia só poderia emergir na sociedade como
não se visse mais como índio, africano ou português.
Com isso o autor acabou externando uma visão me-
ramente reducionista, sem levar em consideração o
índio como um dos elementos que compõem a matriz
do nosso povo.
Para Darcy Ribeiro, esse conceito de identida-
de coletiva baseada em uma matriz étnica brasileira
formada por indígenas, africanos e portugueses tinha
um caráter utópico, no entanto, desconsiderar tal
processo, é negar de forma cínica e abjeta toda a luta
e resistência não apenas dos índios, mas de todas as
outras formas de identidades étnicas que compuse-
ram e ainda compõem de fato o povo brasileiro.
Por outro lado, o papel do historiador é fazer
o registro desta experiência, para que ela possa se
materializar a partir das fontes consultadas. Nesse
sentido, essas fontes são uma abertura para uma
nova problemática, na medida em que podemos fa-
zer novas perguntas a velhas fontes, ao ponto de nos
pegarmos, por algumas vezes, ao longo da escrita
deste trabalho, conversando com elas.




