Eduardo Gomes da Silva Filho
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INTRODUÇÃO
Todas as gerações de Waimiri e Atroari que nasce-
ram e viveram nos últimos 300 anos, não sabem
o que é tranquilidade. Foram forçados pelo Esta-
do brasileiro e por firmas e pessoas particulares,
a viverem, dentro do seu próprio habitat sagrado,
num clima de constante sobressalto, que as for-
çou a evacuarem, não raras vezes e às pressas, as
suas famílias do curso inferior para os altos dos
rios, deixando tudo para trás (SCHWADE, 1980, p.
6) (SCHWADE, Denúncia levada ao IV Tribunal de
Russell/Rotterdam/novembro de 1980, p. 6).
Como se escreve a história indígena? Como
se escreve a história de um povo a partir, principal-
mente, da fala dos outros? Essas inquietações insti-
garam-nos a buscar uma forma de escrevermos so-
bre aspectos importantes da história contemporânea
do povo Waimiri-Atroari.
Ao enfrentar o tema, percebemos que essa
História seria contada a partir de algumas perspec-
tivas divergentes. Nesse sentido, temos de um lado
o governo militar brasileiro – Exército, Fundação
Nacional do Índio – FUNAI, Eletronorte, empresas
mineradoras, construtoras e, nos últimos anos, o
Programa Waimiri-Atroari – PWA.
Do outro lado, temos o Conselho Indigenista
Missionário – CIMI, o Movimento de Apoio à
Resistência Waimiri-Atroari – MAREWA, ambienta-
listas, missionários, antropólogos e os próprios ín-
dios, que resistiram às arbitrariedades, massacres e
ao genocídio imposto durante o regime civil-militar
no Brasil.
Esse antagonismo serviu como pano de fun-
do para que emergisse o protagonismo e a resis-
tência indígena frente à ação dos grandes projetos




