Eduardo Gomes da Silva Filho
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justiça transicional em desenvolvimento no Brasil
(CNV, 2014, p. 200, Tomo II).
A mesma Comissão ainda alega que “São os
planos governamentais que sistematicamente de-
sencadeiam esbulho das terras indígenas. “(Ibid., p.
200, Tomo II). Dessa forma, o caso do povo Waimiri-
Atroari, entrou na pauta da Comissão Nacional da
Verdade, muito mais por pressões exercidas pelos
movimentos pró-indígenas do que propriamente pela
sua proposta inicial, que seria de investigar apenas
os casos envolvendo as vítimas do regime civil-mili-
tar no Brasil, no entanto, fechando os olhos, em um
primeiro momento, à questão indígena.
A pesquisa emergiu em um momento históri-
co particularmente importante para o país, durante
a “descomemoração” dos 50 anos do golpe civil-mili-
tar. É justamente sobre este período que nos debru-
çamos, numa tentativa de recuperarmos parte da et-
no-história deste povo, privilegiando a sua resistên-
cia frente aos grandes projetos de desenvolvimento
que devassaram o território Waimiri-Atroari.
O presente trabalho tem o cuidado de tentar
imiscuir-se de qualquer juízo de valor meramente
anacrônico e da ultrapassada visão vitimizadora que
caracterizou a historiografia indígena brasileira du-
rante o passado recente.
Nessa ótica, mesmo sem demonstrar, apa-
rentemente, tal intenção, até mesmo alguns autores
que se dedicaram à historiografia indígena acaba-
ram caindo nessa armadilha, como veremos abaixo,
a partir da fala de Alípio Bandeira:
Quantas desgraças não se teriam poupado a essa
raça martirizada
se antes de atacá-la, lembrassem
os homens que a dor é só uma para nós e para
os índios e que muitas vezes mais sente um de-
les do que um de nós a perda dos entes queridos.
Quantas outras não se teriam evitado diante deste




