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Eduardo Gomes da Silva Filho

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Nesse contexto, a escrita Waimiri-Atroari

constitui-se como um elemento de construção da

memória desse povo. Portanto, foi preciso adentrar

na natureza dessa fonte para tentar elucidar o pa-

pel da escrita no seu processo de valorização e de

resistência.

As imagens produzidas pelos índios, assim

como seus símbolos, revelam um significado de re-

sistência que estava oculto por anos de repressão e

que só foi possível alcançar a partir dos materiais

etnográficos produzidos por Egydio Schwade.

Estas fontes destacam-se pelo seu caráter

de concentração em um discurso de resistência,

que é fortalecido também a partir de textos e docu-

mentos oficiais de instituições indigenistas, como a

Fundação Nacional do Índio – FUNAI, o Conselho

Indigenista Missionário – CIMI e o Movimento de

Apoio à Resistência Waimiri-Atroari – MAREWA,

além disso, o trabalho visa desconstruir a violência

do olhar anacrônico da própria FUNAI (como no epi-

sódio da expulsão dos missionários Egydio e Doroti

Schwade de uma das aldeias Waimiri-Atroari).

As representações iconográficas feitas pe-

los índios, durante as aulas dos missionários, têm

um caráter de resistência, além de expressar a sua

perspectiva cultural. Consequentemente outras fon-

tes são apresentadas neste trabalho, como relató-

rios, alvarás, decretos, ações civis, informes, ofícios,

memorandos, portarias, além do Relatório final da

Comissão Nacional da Verdade, publicado no último

dia 10 de dezembro de 2014, que comprova os crimes

cometidos contra os índios no governo civil-militar.

Destarte, o trabalho foi dividido em qua-

tro capítulos, o primeiro denominado “Os grandes

projetos para a Amazônia: Territorialidades, ocupa-

ção e resistência”. Inicialmente, voltamos à atenção

para apresentarmos ao leitor uma breve etno-histó-