Eduardo Gomes da Silva Filho
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sal de missionários Egydio e Doroti Schwade, entre
os anos de 1985 e 1986, junto aos índios Waimiri-
Atroari, na aldeia Yawará, em Roraima. Na oportu-
nidade, eles se utilizaram do método de Paulo Freire
para alfabetizar os índios; com o passar das aulas,
a memória desses índios trouxe à tona uma série
de acontecimentos que viriam a confirmar todas as
atrocidades que este povo passou nas mãos dos mi-
litares, posseiros, grileiros e mineradores, desde o
início do regime civil-militar do Brasil, até àquela
presente data.
De acordo com Maurice Halbwachs (2006), a
memória coletiva do grupo indígena é um elemen-
to de ressignificação de suas práticas e identidade.
Já para Michael Pollak (1989), o silêncio tem razões
muito perplexas e para uma pessoa poder relatar os
seus sofrimentos é necessário encontrar uma escu-
ta. O modo como isso era feito entre o povo Waimiri-
Atroari era muito particular, na medida em que esse
resgate da memória encontrou à escuta sugerida por
Pollak, na figura de Egydio Schwade e de sua esposa
Doroti Müller Schwade.
Por fim, também analisamos a maneira como
o casal de missionários foi sumariamente expulso da
aldeia, acusados injustamente pela FUNAI de faze-
rem apologia à violência aos índios, simplesmente
pelo fato deles serem as principais testemunhas des-
sas novas fontes produzidas pelos índios e que re-
velaram aos olhos da sociedade civil tudo o que eles
passaram nas mãos dos militares, além de algumas
de suas estratégias de resistência.




