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Eduardo Gomes da Silva Filho

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próprias práticas de resistências, sejam elas de en-

frentamento ou a partir da luta pela manutenção

dos seus costumes e tradições.

As pesquisas empíricas realizadas e as visi-

tas constantes a diversos acervos fizeram-nos sentir,

como cita Arlette Farge (2009), “

O Sabor do Arquivo

e é nesse sentido, que a pesquisa tomou novos ru-

mos. No entanto, o historiador fala também de teoria

e metodologia, sendo assim, Robert Darnton (1988)

alertou-nos para as diversas formas de contar a his-

tória de resistência sociocultural de um povo. Para

que isso fosse possível, buscamos outros aportes

teóricos e intensos diálogos com a Antropologia e

seus diversos campos, sejam eles de ordem cultural,

estrutural ou jurídica.

Por outro lado, a pesquisa procurou entrar

neste universo por meio de análises a partir de vá-

rios acervos documentais importantes, principal-

mente os que foram investigados e analisados no

acervo pessoal da família Schwade, que há anos vem

se dedicando à defesa da causa indígena e ao povo

Waimiri-Atroari.

Este acervo constituiu a base documen-

tal que deu origem ao 1º Relatório do Comitê

Estadual do Direito à Verdade, Memória e Justiça

do Amazonas, publicado no ano de 2012 e que ser-

viu como fonte para o Relatório final da Comissão

Nacional da Verdade, publicado ao final do ano de

2014, o qual investigou os graves crimes cometidos

contra os povos indígenas durante o período do re-

gime civil-militar no Brasil, vigente entre os anos de

1964-1985.

De acordo com o Relatório, “Não são esporá-

dicas nem acidentais essas violações: elas são sistê-

micas, na medida em que resultam diretamente de

políticas estruturais de Estado, que respondem por

elas, tanto por suas ações diretas quanto pelas suas