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Protagonismo e resistência dos Waimiri-Atroari na Amazônia
Em seguida, problematizamos a criação e a
atuação do programa Waimiri-Atroari ou simples-
mente PWA, fruto de um convênio firmado entre
a FUNAI e a Eletronorte, para tentar minimizar os
impactos sofridos por este povo, principalmente por
causa da construção de Balbina. O total controle
das ações desse projeto por parte do PWA, com o
irrestrito apoio dado pela FUNAI, fez-nos questionar
este modelo. Ao partir dessa premissa, a pesquisa o
indagou da seguinte forma: Solução ou inversão de
tutela?
Essa resposta tornou-se evidente, na medida
em que, ao longo dos mais de 25 anos de existência
do PWA, suas ações se voltaram para o estabeleci-
mento de um verdadeiro “estado de sítio” com a ex-
clusão de missionários e pesquisadores do território
Waimiri-Atroari.
A pesquisa descreve o deslocamento compul-
sório e a forma como submetidos os Waimiri-Atroari
em virtude do alagamento provocado pela construção
de Balbina. A mudança forçada dos Waimiri-Atroari
para outras áreas da reserva indígena, isto é, o des-
locamento compulsório provocado pela Eletronorte
é eufemisticamente descrito como uma “recondução
com o auxílio” do PWA. A este processo demos a al-
cunha de “desterritorialização e reterritorialização
induzida”.
O capítulo também aborda as ações mitiga-
doras, que são incorporadas em nossa análise, pois,
elas têm o objetivo de tentar diminuir as ações no-
civas, às quais os índios foram submetidos, espe-
cialmente nos casos da construção da BR 174, da
ação do Grupo Paranapanema e da construção de
Balbina.
Dedicamo-nos ainda a dar ênfase ao proces-
so de resistência desse povo de outras formas, uma
delas trata-se de um estudo etnográfico feito pelo ca-




