22
Protagonismo e resistência dos Waimiri-Atroari na Amazônia
ta Eduardo – que foi uma das lideranças indígenas
dos Waimiri-Atroari, na época em que os militares
estavam construindo a BR-174 pelo seu território e
travando uma guerra genocida contra os Waimiri.
Relatei rapidamente [...] acerca da possível morte de
um dos seus parentes pelo Exército. Após ouvir o
nosso depoimento, o índio começou a chorar copio-
samente e nos confirmou com voz trêmula, ‘foi isso
mesmo que aconteceu’ e repetiu, ‘foi isso mesmo que
aconteceu’”! – Relata Eduardo.
OGal. Bertier Brasil, umex-oficial doComando
Militar da Amazônia, que atuou na construção da BR-
174, com um Confiteor à posteriori, dedica seu livro
de memórias: O Pagé da Beira da Estrada “ao anôni-
mo irmão Waimiri-Atroari, cujo cadáver mal enterra-
do deparamos. Muitas vezes, pela frente”?
A Ditadura Militar criou órgãos, espécies de
“Cavalos de Troia”, para infiltrar seus interesses nas
áreas indígenas. Assim, por exemplo, o Relatório
da Comissão Parlamentar de Inquérito da Câmara
Federal, “destinada a apurar denúncias relativas à
invasão de terras indígenas” em 1977, refere denún-
cia que a COAMA-Coordenação da Amazônia, ór-
gão do governo, a quem a FAWA-Frente de Atração
Waimiri-Atroari, estava subordinada, destinou em
meados dos anos 70 “seis milhões de cruzeiros [...]
a dar cobertura aos invasores da área dos referidos
índios” (Waimiri-Atroari). Ora, a COAMA atuava com
recursos do PIN-Plano de Integração Nacional, era
um órgão que nem pertencia aos quadros da FUNAI.
Eduardo chama a atenção à forma criminosa
e clandestina como esses projetos estão sendo im-
plantados. Refere, por exemplo, o caso do Projeto
Calha Norte, que foi concebido na surdina pelos
militares e mais de um ano escondido ao próprio
Congresso Nacional. Da mesma forma, ao arrepio da
lei, clandestinamente, depois de ter participado na




