Eduardo Gomes da Silva Filho
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construção das rodovias pela Amazônia, durante a
Ditadura Militar, a mineradora Paranapanema inva-
diu e se apropriou de terras Waimiri-Atroari. Tem-se
poucas notícias de uma mineração que se instalou
regularmente na Amazônia. A invasão criminosa é a
marca registrada dessa atividade.
Os objetivos da ditadura Militar com a cons-
trução da BR-174, foram os grandes projetos: hi-
drelétricas, mineração e agronegócio, que trouxeram
a morte ao povo que habitou a região: os Waimiri-
Atroari. E cadê os benefícios para a sociedade local
e regional e para o país? Ao contrário, destruída a
resistência indígena, a BR-174 se tornou uma “veia
aberta” por onde escoa o saque do minério e das flo-
restas, sem deixar os benefícios para a população
local e nem remanescentes indígenas.
O território indígena ao sul da área Waimiri-
Atroari, foi entregue a 266 latifundiários paulistas,
que o detém apenas como instrumento de saque dos
cofres públicos, um estorvo “incômodo” para gover-
nantes e insuportável para as populações rurais, ne-
cessitadas de uma terra para a sua subsistência.
De forma semelhante, a hidrelétrica de Balbina
jamais vai se pagar. É um “blefe”, segundo reconhe-
ceu, publicamente, o ex-governador do estado do
Amazonas, Amazonino Mendes, uma das autoridades
que mais batalhou por ela, apesar de advertido sobre
o fracasso pela sociedade civil organizada. O objeti-
vo de Balbina foi abastecer de energia a Zona Franca
de Manaus, que por sua vez, foi um instrumento de
desterritorialização de milhares de amazônidas, desa-
propriados dos seus direitos à terra na beira e no alto
dos rios da Amazônia Brasileira.
Eduardo aponta passo a passo como os gran-
des projetos de mineração, do agronegócio e das hi-
drelétricas são implantados como iniquidades hu-
manas e ambientalmente insustentáveis. Favorecem




