Eduardo Gomes da Silva Filho
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índios e fiel escudeiro do Governo militar, como ve-
remos a seguir.
Carvalho era assessor do presidente da Funai em
1981, e eu pedi autorização para pesquisar os do-
cumentos na sede da Funai, Carvalho pediu para
reservar todos os documentos para seu uso, para
que eu não pudesse ter acesso aos documentos.
Ele fez isso junto com Célio Hoerst, filho de criação
do presidente Ernesto Geisel (BAINES, 2011).
Nesse sentido, o PWA foi contemporâneo a
Constituição Federal de 1988, porém, continuou
utilizando-se de métodos tradicionais e tutelares
com os índios. Acerca desta continuidade por par-
te dos que praticam a política anti-indigenista, João
Pacheco de Oliveira faz uma análise geral da política
indigenista no período entre a criação do Estatuto do
Índio e a Constituição Federal de 1988:
[...] o que ocorre é uma simples reversão da tute-
la, manifestada de modo duplo: por um lado, como
uma oportunidade para fazer ascender ao primeiro
plano, aspectos ostensivamente lesivos aos indíge-
nas e, por outro lado, na paralela atenuação das
responsabilidades públicas quanto ao destino e
bem estar dessa população. Ao invés da extinção
da tutela o que se verifica é a sua continuidade por
outros meios, sob uma claridade lunar e plena de
sombras, com muitas omissões e pouco glamour,
como uma nova modalidade de geração de depen-
dência e subalternidade (OLIVEIRA, 2004, p. 106).
A análise do pesquisador direcionou para
questões que são inerentes à relação dos Waimiri-
Atroari com o PWA, na medida em que após a cria-
ção do Programa, os índios passaram a ficar sob sua
responsabilidade e assim, verifica-se a reversão tu-
telar a qual esses índios estão submetidos. Desse
modo, a relação índio/tutela e a ação do indigenismo
empresarial sobre os Waimiri-Atroari é descrita por
Baines (1993), da seguinte forma:




