Table of Contents Table of Contents
Previous Page  239 / 332 Next Page
Information
Show Menu
Previous Page 239 / 332 Next Page
Page Background

Eduardo Gomes da Silva Filho

239

índios e fiel escudeiro do Governo militar, como ve-

remos a seguir.

Carvalho era assessor do presidente da Funai em

1981, e eu pedi autorização para pesquisar os do-

cumentos na sede da Funai, Carvalho pediu para

reservar todos os documentos para seu uso, para

que eu não pudesse ter acesso aos documentos.

Ele fez isso junto com Célio Hoerst, filho de criação

do presidente Ernesto Geisel (BAINES, 2011).

Nesse sentido, o PWA foi contemporâneo a

Constituição Federal de 1988, porém, continuou

utilizando-se de métodos tradicionais e tutelares

com os índios. Acerca desta continuidade por par-

te dos que praticam a política anti-indigenista, João

Pacheco de Oliveira faz uma análise geral da política

indigenista no período entre a criação do Estatuto do

Índio e a Constituição Federal de 1988:

[...] o que ocorre é uma simples reversão da tute-

la, manifestada de modo duplo: por um lado, como

uma oportunidade para fazer ascender ao primeiro

plano, aspectos ostensivamente lesivos aos indíge-

nas e, por outro lado, na paralela atenuação das

responsabilidades públicas quanto ao destino e

bem estar dessa população. Ao invés da extinção

da tutela o que se verifica é a sua continuidade por

outros meios, sob uma claridade lunar e plena de

sombras, com muitas omissões e pouco glamour,

como uma nova modalidade de geração de depen-

dência e subalternidade (OLIVEIRA, 2004, p. 106).

A análise do pesquisador direcionou para

questões que são inerentes à relação dos Waimiri-

Atroari com o PWA, na medida em que após a cria-

ção do Programa, os índios passaram a ficar sob sua

responsabilidade e assim, verifica-se a reversão tu-

telar a qual esses índios estão submetidos. Desse

modo, a relação índio/tutela e a ação do indigenismo

empresarial sobre os Waimiri-Atroari é descrita por

Baines (1993), da seguinte forma: