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Protagonismo e resistência dos Waimiri-Atroari na Amazônia
O PWAIFE tem estreitos laços com a política desen-
volvimentista do Estado brasileiro em colaboração
com grandes empresas privadas, como fica eviden-
te pelo fato que o gerente do PWAIFE ter assinado,
entre 1986 e 1989, como testemunha, alguns Ter-
mos de Compromisso entre a Mineração Taboca (do
Grupo Paranapanema) e alguns Waimiri-Atroari,
de natureza extremamente desigual, favorecendo
a empresa mineradora, além de uma “declaração”
abrindo toda a área indígena dos Waimiri-Atroari à
exploração mineral exclusivamente pela Paranapa-
nema (BAINES, 1993, p. 3).
Nesses termos, o Programa Waimiri-Atroari,
tornou-se um dos grandes colaboradores dos
Grandes Projetos nas Terras Indígenas, invertendo a
tutela das mãos da FUNAI, para perpetuar seus in-
teresses, na medida em que, de acordo com a docu-
mentação consultada, o próprio Porfírio de Carvalho,
sempre fechou os olhos para as arbitrariedades pra-
ticadas contra os índios.
No entanto, Baines (2000) volta a chamar a
atenção para o caso dos Waimiri-Atroari e alerta-
-nos para que, nas duas últimas décadas, eles têm
sido reféns da ação de grupos empresariais em seu
território, bem debaixo dos olhos da FUNAI. Além
disso, o pesquisador destaca a política empresa-
rial que é praticada junto aos índios por meio da
administração do PWA, baseada em cooptação de
algumas lideranças indígenas. Ainda segundo o au-
tor, soma-se a isso, parte da mídia que ajuda na
divulgação dessa imagem, instigando o imaginário
popular a construir uma visão equivocada da rela-
ção dos índios com o Programa. A respeito do pa-
pel exercido na administração indígena pelo PWA,
Baines comenta:
O mito do indigenismo heroico é reforçado nas pala-
vras do seu supervisor, que o apresenta como uma
proposta indigenista que é o sonho posto em prá-




