Table of Contents Table of Contents
Previous Page  240 / 332 Next Page
Information
Show Menu
Previous Page 240 / 332 Next Page
Page Background

240

Protagonismo e resistência dos Waimiri-Atroari na Amazônia

O PWAIFE tem estreitos laços com a política desen-

volvimentista do Estado brasileiro em colaboração

com grandes empresas privadas, como fica eviden-

te pelo fato que o gerente do PWAIFE ter assinado,

entre 1986 e 1989, como testemunha, alguns Ter-

mos de Compromisso entre a Mineração Taboca (do

Grupo Paranapanema) e alguns Waimiri-Atroari,

de natureza extremamente desigual, favorecendo

a empresa mineradora, além de uma “declaração”

abrindo toda a área indígena dos Waimiri-Atroari à

exploração mineral exclusivamente pela Paranapa-

nema (BAINES, 1993, p. 3).

Nesses termos, o Programa Waimiri-Atroari,

tornou-se um dos grandes colaboradores dos

Grandes Projetos nas Terras Indígenas, invertendo a

tutela das mãos da FUNAI, para perpetuar seus in-

teresses, na medida em que, de acordo com a docu-

mentação consultada, o próprio Porfírio de Carvalho,

sempre fechou os olhos para as arbitrariedades pra-

ticadas contra os índios.

No entanto, Baines (2000) volta a chamar a

atenção para o caso dos Waimiri-Atroari e alerta-

-nos para que, nas duas últimas décadas, eles têm

sido reféns da ação de grupos empresariais em seu

território, bem debaixo dos olhos da FUNAI. Além

disso, o pesquisador destaca a política empresa-

rial que é praticada junto aos índios por meio da

administração do PWA, baseada em cooptação de

algumas lideranças indígenas. Ainda segundo o au-

tor, soma-se a isso, parte da mídia que ajuda na

divulgação dessa imagem, instigando o imaginário

popular a construir uma visão equivocada da rela-

ção dos índios com o Programa. A respeito do pa-

pel exercido na administração indígena pelo PWA,

Baines comenta:

O mito do indigenismo heroico é reforçado nas pala-

vras do seu supervisor, que o apresenta como uma

proposta indigenista que é o sonho posto em prá-