Eduardo Gomes da Silva Filho
235
dúvidas seriam tiradas diretamente com os índios
e que esta disciplina seria oferecida posteriormente,
fato desmentido pelos professores no documento.
Além disso, de acordo com os professores, o
curso oferecido pelo PWA era de baixa qualidade teó-
rica e metodológica; e para piorar a situação, as pro-
messas feitas em relação aos contratos na Secretaria
de Educação não se cumpriram, deixando os profes-
sores à mercê do PWA. Ao passo que a ansiedade já
tomava conta de todos e a entrada na área indíge-
na era constantemente adiada, enfim, ouviu-se uma
justificativa que não agradara em nada aos profes-
sores, “A coisa aqui é assim mesmo, para se traba-
lhar com índios não se pode ter um planejamento
exato do que se vai fazer. Ah! Vocês tem que ir logo
se acostumando” (NETO; GONÇALVES, 1988, p. 10).
Quando finalmente entraram na área indíge-
na, logo perceberam o despreparo dos membros do
PWA em lhe dar com os índios, tratando-os sempre
como crianças mimadas e aproveitando-se do seu
desconhecimento sobre dinheiro, pesos, medidas,
exercendo assim uma forte relação de tutela com eles.
O grande descontentamento dos professo-
res deu-se principalmente por causa da ausência
do pagamento integral dos seus serviços prestados
ao PWA, segundo eles, houve 82 dias de atividades,
mas, no entanto, só foram pagos 30 dias de serviço,
fato que revoltou a todos e foi o estopim dos seus
desligamentos.
Dois anos mais tarde, ações dos PWA foram
colocas em cheque, por meio dos debates promovidos
no “I Seminário de Estudos Waimiri-Atroari: Farsa
ou realidade”, nas dependências do SESI Manaus,
em março de 1990. As principais discussões giraram
em torno dos impactos das políticas governamentais
sobre as populações indígenas Waimiri-Atroari e a
atuação do PWA.




