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Protagonismo e resistência dos Waimiri-Atroari na Amazônia
PWA de tentar desviar a atenção da sociedade civil
para as práticas tutelares as quais os índios estão
submetidos. Destarte, o cumprimento das promes-
sas feitas não são necessariamente uma das possí-
veis virtudes do Programa Waimiri-Atroari, ao passo
que desde a sua idealização e implantação, a partir
de meados de 1987/1988, o referido Programa já fal-
tava com a palavra aos seus próprios colaboradores.
Isso pode ser evidenciado por meio da denún-
cia feita por dois ex-professores do Programa, a partir
de um documento que eles chamaram de “Programa
Waimiri-Atroari: as promessas e os contos de seus
vigários”, em uma alusão ao não cumprimento de
acordos pré-estabelecidos entre as partes.
Foi dessa maneira que os professores Aniceto
Barroso Neto e Darlêda Ferreira Gonçalves vieram a
público no ano de 1988, externar os motivos de sua
saída do PWA. Na oportunidade, os professores ale-
garam terem sido seduzidos pelas promessas feitas
pelo Sr. João Batista da Silva Oliveira, conhecido pela
alcunha de João das letras, que além de ser funcio-
nário da Secretaria de Educação do Amazonas, tam-
bém era o Coordenador do Programa de Educação
do PWA.
Segundo os professores, vários benefícios fo-
ram prometidos para que eles pudessem largar seus
respectivos contratos na Secretaria de Educação do
Amazonas – SEDUC – AM e aderissem ao Programa.
Entre esses benefícios constavam a promessa de
mais dois contratos na própria Secretaria, equipara-
ção salarial com os funcionários da FUNAI e promes-
sas de cursos de Pós-Graduação.
Porém, ao começarem o curso preparatório
oferecido pelo PWA para lhe darem com os índios,
os professores estranharam a ausência da oferta da
disciplina de Antropologia, atitude amenizada por
João das letras, sob a alegação de que as possíveis




