Eduardo Gomes da Silva Filho
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tica de todos os indigenistas e, ainda, como “a sal-
vação da extinção” dos Waimiri-Atroari. O mesmo
supervisor definiu o PWA como “revolucionário”.
O fato do PWA, junto com o Programa Parakanã
administrado também pela Eletronorte, oferecer
subprogramas de saúde e de educação com uma
infraestrutura muito maior do que o atendimento
deficiente oferecido antes pela Funai tem conven-
cido muitos acadêmicos, até mesmo antropólogos,
a defendê-los como os únicos programas indigenis-
tas que fornecem projetos assistencialistas concre-
tos que garantem a sobrevivência física dos índios
(BAINES, 2000, p. 142).
105
Os efeitos colaterais da administração do
PWA suscitam diferentes visões, tanto na socieda-
de civil, quanto dentro do próprio meio acadêmico.
Muito embora isso não seja uma visão unânime, a
repercussão de Programas que tentam diminuir os
impactos socioambientais gerados pelo modelo bra-
sileiro de desenvolvimento de energia elétrica através
da construção de Usinas Hidrelétricas, é extrema-
mente nocivo às comunidades tradicionais, exem-
plos para isso não faltam, como nos casos de Jirau
em Rondônia, Belo Monte e Tucuruí no Pará e de
Balbina no Amazonas.
Todavia, o alerta feito por antropólogos, am-
bientalistas e historiadores de que isso gerará um
colapso nos ecossistemas afetando diretamente as
comunidades tradicionais, parecem muito mais di-
vergir do que convergir opiniões. Principalmente
quando se estão em jogo os interesses econômicos
e governamentais, que ignoram sumariamente o
modo de vida tradicional, praticando o esbulho de
terras, desmatando, alagando, poluindo e destruin-
do vidas.
105 Nesse exemplo citado pelo pesquisador, a tutela que é exercida pelo
PWA tem uma relação direta com grandes empresas interessadas em
explorar o território indígena e o que mais nos preocupa é o fato disso
vir a ser um novo padrão de controle sobre esses povos.




