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Protagonismo e resistência dos Waimiri-Atroari na Amazônia

A esse respeito, o Jornal do Comércio de

Manaus, fez o seguinte registro: “[...] o programa her-

da a política discriminatória e de controle da Funai

e do antigo Núcleo de Apoio Waimiri-Atroari (NAWA).

Poucas pessoas teriam condições de discutir, hoje,

esse programa e isso não é gratuito” (JORNAL DO

COMÉRCIO, 1990). Todavia, as preocupações com

a situação dos índios despertavam outras aten-

ções, nesse caso, além do alcance do conhecimento

da sociedade civil, a partir das discussões feitas no

Seminário citado, também tivemos a manifestação

pública do Prof. Dr. Márcio Ferreira da Silva, que

enviou uma carta ao então Presidente da Associação

Brasileira de Antropologia – ABA; o Prof. Dr. Sílvio

Coelho dos Santos, relatando a situação em que se

encontrava a Terra Indígena Waimiri-Atroari, além

de voltar amiúde à questão da sua expulsão.

Porém, o documento ainda direcionou para

outra questão espinhosa que tratou da exclusão por

parte da ABA, dos antropólogos ligados aos Waimiri-

Atroari que fariam parte de uma comissão especial

para estudar o caso. Sobre esse episódio Márcio

Silva comentou:

Demandas como as que motivaram a criação de

uma Comissão da ABA para visitar o PWA/FE,

revelam a preocupação do setor elétrico brasileiro

de alardear uma suposta competência indigenista,

possivelmente para compensar a sua notória in-

competência no único domínio e que isto não de-

veria ocorrer: o da eletricidade (SILVA, 1993, p. 3).

O monopólio empresarial do setor elétrico em

terras indígenas foi duramente criticado por Márcio

Silva, na medida em que quem se mostrara contrá-

rio à atuação do indigenismo empresarial na época,

também era visto como um obstáculo às pretensões

não só das empresas, como do próprio PWA. A con-