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Protagonismo e resistência dos Waimiri-Atroari na Amazônia

O deslocamento compulsório dos Waimiri-

Atroari: Desterritorialização e o processo de

reterritorialização induzido

Bom, mudou já que um terço, por exemplo, um

terço do povo, praticamente, ou seja, duas aldeias

numerosas daqui, que sobraram dessa região aí

do alto Abonari foram transferidas, não é? Com-

pletamente também contra a lei, simplesmente

relocados dentro da própria área Waimiri-Atroari.

Não receberam, como manda a Organização Inter-

nacional do Trabalho, e o próprio Estatuto do Índio

em que eles recebam uma terra em iguais condi-

ções, né? Própria, que seja estado como a outra,

em iguais condições a essa que eles tiveram de

deixar. E nada disso foi feito. Foram simplesmente

transferidos, relocados, né? Dentro da área. O gru-

po foi para o rio Monawa e o outro foi [...] Foram

divididos em três aldeias. Um para Curiau, outra

para Monawa, e a outra para [...] criou outra aldeia

lá perto do Alalaú, já fora da área completamen-

te desse grupo, desses grupos daí, né, fora da sua

geografia, né? Isso já foram situações de violência,

verdadeiramente (SCHWADE, 2013).

Foi exatamente com estas palavras que

Egydio Schwade nos descreveu o processo de des-

territorialização, ao qual foram submetidos os índios

Waimiri-Atroari a partir de 1987, fato este, classi-

ficado por Baines (1994), como deslocamento com-

pulsório. Nesse sentido, praticamente um terço da

população indígena Waimiri-Atroari foi para outras

partes da Reserva Indígena, como consequência

da grande inundação provocada em seu território

por causa do fechamento das comportas da Usina

Hidrelétrica de Balbina.

A situação de desterritorialização dos índios

foi provocada pelo caráter de urgência provocado

pelo enchimento do reservatório da Usina, que ala-

gou duas aldeias que estavam localizadas na bacia