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Protagonismo e resistência dos Waimiri-Atroari na Amazônia

para os Postos de Taquari e Abonari. Quando o PWA

assumiu o controle das ações no ano de 1988, por

meio do convênio com a FUNAI e a Eletronorte, ele se

tornou “responsável” pelos índios, até os dias atuais,

pois, inicialmente, o contrato duraria 25 anos, mas,

no entanto, foi novamente renovado.

Por outro lado, algumas pessoas ligadas ao

Marewa e ao sindicado dos trabalhadores rurais,

também tomaram algumas iniciativas em relação às

consequências dos impactos ambientais ocasiona-

dos pela construção da Hidrelétrica. Esse é o caso,

por exemplo, de Custódio Inocêncio da Silva, que por

meio de uma campanha informativa e, contando com

o apoio de algumas instituições parceiras, escreveu

e publicou um trabalho em forma de Literatura de

Cordel, adaptado a partir de um Relatório Técnico

que conta a história da UHE-Balbina.

O trabalho do sindicalista rural foi realizado

todo em forma de Literatura de Cordel, ele fez uma

análise dos três anos seguintes ao fechamento das

comportas da Hidrelétrica e concentrou suas críticas

nos impactos ambientais causados pela sua cons-

trução. O trabalho só foi publicado no ano de 1994

e teve como título “Balbina Uatumã 3 anos depois”,

como podemos observar em trecho a seguir:

Há três anos funcionando

A hidrelétrica de Balbina

Parece que os atingidos

Se conformam com a sina

Por que foi que se calaram

Será que virou rotina?

Vendo o silêncio do povo

Voltando à realidade

Será que o Uatumã

Voltou à normalidade?

Ou se vale apena ser

Discutida de verdade (SILVA, 1994, p.1).