Eduardo Gomes da Silva Filho
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O questionamento do trabalhador rural
aponta para a necessidade de uma discussão mais
ampla e objetiva sobre os impactos da construção
de Balbina na vida do povo Waimiri-Atroari. Estas
reivindicações ocorreram no ano de 1989 e foram re-
gistradas em duas oportunidades em um filme-do-
cumentário produzido por Rogélio Casado e Rogério
Gribel, chamado pelos autores de “Balbina no País
da Impunidade”.
Nesse sentido, uma das reivindicações, ocor-
reu no dia 26 de março de 1989, a partir de uma ma-
nifestação pública do Sindicato dos trabalhadores
rurais da cidade de São Sebastião do Uatumã, com
o apoio da Prelazia de Itacoatiara (sede do Grupo da
Pastoral Indigenista, onde nasceu à ideia da cria-
ção do Movimento de Apoio à Resistência Waimiri-
Atroari), da Comissão Pastoral da Terra, do depar-
tamento Rural da Central dos Trabalhadores e da
Associação dos Servidores do Instituto Nacional de
Pesquisas da Amazônia.
Já a outra manifestação pública, ocor-
reu em frente à Eletronorte no dia 21 de abril de
1989, por meio de uma iniciativa dos trabalhadores
do Uatumã, que vieram à cidade de Manaus fazer
o protesto, em ambas, era evidente o descontenta-
mento da população afetada pelos impactos de UHE
Balbina. A esse respeito, Alfredo Wagner Berno de
Almeida (1994) e José de Souza Martins (1991) aler-
tam sobre o avanço do grande capital na Amazônia,
e, por conseguinte, no campo e nas populações in-
dígenas e ribeirinhas, onde a lógica desse capital,
não respeita o modo de vida local, sendo necessário,
portanto, que sejam criados mecanismos que incor-
porem esse modo de vida tradicional à conservação
da fauna, flora e biodiversidade.
No documentário, Egydio Schwade foi entre-
vistado e deu uma declaração bastante preocupan-




