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Protagonismo e resistência dos Waimiri-Atroari na Amazônia
claro em nossa primeira entrevista com o Sr. Rai-
mundo Nonato, na sua declaração: “
Nós, indige-
nistas, não gostamos de trabalhos antropológi-
cos
”, levando os Waimiri-Atroari a não aceitarem
ninguém que não sejam do Programa que estes
indigenistas controlam (BAINES, 1989, p. 12, Gri-
fos nossos).
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No entanto, os argumentos utilizados por
Baines para justificar os episódios de expulsão e
proibição de pesquisadores no território indígena,
ganham substrato a partir das próprias ações do
convênio FUNAI/Eletronorte e PWA. Tal situação
pode ser esclarecida, a partir da análise da obra de
Oliveira (1998), que nos apontou caminhos para
identificarmos às práticas tutelares, descritas por
Baines (1990), desenvolvidas pelo PWA.
Evidenciamos isso em um documento assi-
nado por Verenilde Pereira Santos no ano de 1990,
que ratifica o impedimento para a realização de pes-
quisa etnológica na terra indígena Waimiri-Atroari,
na época em que ela era assistente de pesquisa de
Stephen Grant Baines. Nesse sentido, ela descreveu:
“Utilizando o termo “autodeterminação” os agen-
tes do Programa Waimiri-Atroari escondem o poder
de domínio que exercem sobre os indígenas [...]”
(PEREIRA, 1990, p. 3).
Porém, o significado da palavra autodeter-
minação remete à própria autoridade indígena, não
podendo ser confundido com ações de manipulação
tutelar empresarial. Com fulcro nestas informações,
os pesquisadores Renan Albuquerque Rodrigues
e Philip Fearnside (2014), fizeram uma análise da
103 Todavia, é válido salientar que o pesquisador recolheu dados empíri-
cos junto ao povo Waimiri-Atroari entre 1982-1985. Anos mais tarde,
esse material etnográfico deu o subsídio necessário para a constru-
ção da sua tese de doutorado, sob a orientação do Prof. Dr. Julio
Cezar Mellati, do Departamento de Antropologia da Universidade de
Brasília.




