Eduardo Gomes da Silva Filho
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Karib”, patrocinado pelo CNPq, que teve como títu-
lo, “Reflexões sobre a “expulsão” de um pesquisador
etnólogo de área indígena”. Baines comenta que a
atitude do PWA em barrar um pesquisador e etnó-
logo que tem um trabalho de, aproximadamente, 17
meses dentro da área indígena é no mínimo questio-
nável. Porém, segundo o pesquisador, isso só passou
a ocorrer a partir do momento em que “O Programa
promove a realização de pesquisas sob a sua super-
visão, seletivamente censurando uma pesquisa que
entre outros temas examinou a política indigenista”
(BAINES, 1990, p. 9). Em decorrência disto, Baines
comenta:
Examinando a “expulsão” a luz destes fatos, pode-
-se afirmar que ocorreu obedecendo ao dinamismo
do próprio Programa, cuja atuação indigenista está
direcionando a vida dos Waimiri-Atroari, agindo
sobre ele como uma instituição total que os res-
socializa subordinados à Coordenação (BAINES,
1990, p. 10).
A respeito deste fato, Baines também produ-
ziu um Relatório de Pesquisa de Campo onde rela-
tou a forma sumária de como ele e a sua assistente
na época, chamada Verenilde Santos Pereira, foram
expulsos da T. I Waimiri-Atroari. Além disso, ele res-
saltou no documento outro episódio dessa nature-
za ocorrido ano de 1987, com o pesquisador Márcio
Silva da Unicamp, expulso da região do Camanaú.
Acerca dessas privações, Baines fez a seguinte
observação:
A atuação empresarial na área, consequente do
convênio FUNAI/Eletronorte está levando a for-
mação de uma atitude que não admite pesquisa-
dores na área que não sejam do Programa, finan-
ciado através deste convênio. O julgamento do que
é “retorno imediato” ou “benefício” para os índios
é feito pelos indigenistas do Programa, como ficou




