Eduardo Gomes da Silva Filho
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índios. Ainda segundo o documento citado o iní-
cio dos estudos hidrológicos para a construção de
Balbina datam de 1972, época em que os índios
Waimiri-Atroari viviam livremente em seu território
tradicional, às margens da bacia do rio Uatumã e de
seus afluentes.
O Marewa mobilizou-se contra Balbina por
vários motivos, entre eles, estava à baixa produção
de energia pela hidrelétrica e a retirada dos índios
do seu território imemorial por meio dos programas
oficiais de governo. Outro objeto das críticas das li-
deranças era a FUNAI, descrita por elas como uma
entidade omissa e desvirtuada de seus princípios
legais, em franca colaboração com a política econô-
mica dos militares e da Eletronorte, na medida em
que: “Essa capitulação dos princípios e objetivos da
política indigenista oficial se deve à pressão dos in-
teresses que estão por trás dos programas desen-
volvimentistas do Governo: Hidrelétrica de Balbina e
Mineração Taboca S/A” (MAREWA, 1984, p. 9).
Por outro lado, a grande imprensa também
explorava o assunto, principalmente, por causa da
visita do Presidente da República José Sarney, tor-
nando o empreendimento praticamente irreversível,
como podemos observar em uma matéria publicada
pelo Jornal A Crítica, em 1985.
Quinta feira, 07 de novembro de 1985. É nesta data
que o presidente José Sarney, na sua segunda visita
ao Estado do Amazonas em menos de um mês pisa,
pela primeira vez no solo de Manaus para, num sim-
ples pressionar de dedos e distante da capital da
Zona Franca 146 km em linha reta, no município de
Presidente Figueiredo, explodir toneladas de pedras,
desviando o curso natural do rio Uatumã, formando
o grande lago artificial da UHE-Balbina, colocando
por terra (e muita água) os protestos de ecologistas
e do Movimento de Apoio à Resistência Waimiri-A-
troari – Marewa (A CRÍTICA, 1985).




