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Eduardo Gomes da Silva Filho

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tendo como consequência, o aumento das importa-

ções de combustíveis, fato que seria desastroso para

a balança comercial do país.

De acordo com a Memória Técnica de Balbina

(2013), no quesito orçamento, os investimentos

iniciais nas três obras giravam em torno de US$

383 milhões para Balbina, US$ 454 milhões para

Morena e US$ 466 milhões para Katuema. Nestes

termos, a Usina Hidrelétrica de Balbina, pelo me-

nos em teoria, exigiria bem menos do que as outras

duas: em comparação à Morena, a economia seria

de US$ 71 milhões e já em relação à Katuema, a

economia seria até maior, girando em torno de US$

83 milhões.

No entanto, os projetos de construção das

Hidrelétricas de Morena e Katuema foram aborta-

dos. No caso de Morena, por problemas de ordem

geológica, já em relação à Katuema, as dificulda-

des ocorreram por causa da extensão da estrada de

acesso e das linhas de transmissão que seriam ex-

tremamente difíceis de serem implantadas por cau-

sa da densa selva amazônica. Com isso, o aprovei-

tamento da Usina Hidrelétrica de Balbina tornou-se

a opção mais viável frente os três grandes empreen-

dimentos, isso teoricamente em termos de prazos e

custos.

98

A seguir, veremos um quadro que mostra a

cronologia da Usina Hidrelétrica de Balbina.

98 Em termos gerais, o reservatório da Usina Hidrelétrica de Balbina

com 2.360 km2 pode ser comparado ao reservatório da Usina

Hidrelétrica de Tucuruí, que tem 2.850 km² e que está localizada no

rio Tocantins, no Estado do Pará, distante 300 km em linha reta da

capital Belém, cuja capacidade nominal é de 8 mil MW Isso significa

que Balbina sacrificou 31 vezes mais floresta por MW de capaci-

dade de geração instalada quando comparada àquele empreendi-

mento. Para piorar ainda mais a situação, o reservatório da Usina

Hidrelétrica de Balbina, conseguiu alagar mais de 240 mil ha de flo-

resta tropical, contendo parte da reserva indígena Waimiri-Atroari.

Entre os grandes projetos energéticos da época, Balbina foi o que

mais agrediu a biodiversidade e produziu menos energia.