Eduardo Gomes da Silva Filho
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afetou o território tradicionalmente ocupado pela
comunidade indígena Parakanã. Além de citar o es-
panto dos índios com os impactos ambientais e ter-
ritoriais sofridos por esta etnia, a matéria também
dava ênfase ao endividamento das contas externas
do Governo, que extrapolou todas as previsões orça-
mentárias para a construção da obra. Destarte, as
entidades que assinam a nota explicam que:
[...] com a formação do lago de Balbina, os Wai-
miri-Atroari terão muitos dos seus rios, a exemplo
do Abonari, poluídos por longas décadas, o que re-
presenta de imediato a ameaça de extermínio do
grupo. Denunciam que a Eletronorte continua a
manipular dados, torcê-los e negá-los. “Novamen-
te a Funai presta-se ao serviço de destruir a re-
sistência indígena”, disparando a nota, exigindo,
como cidadãos, que a Eletronorte esclareça todas
as questões levantadas e que a Fundação diga o
que se sucederá em suas terras, o que está fazendo
e o que fará para assegurar os seus direitos como
manda a Lei, finaliza o comunicado (JORNAL DO
COMÉRCIO, 1987).
A denúncia também ecoou na voz do jornal O
Estado de São Paulo, a partir de uma matéria intitu-
lada “O escândalo da Hidrelétrica de Balbina”, nela o
periódico faz duras críticas à Usina Hidrelétrica, as-
sim como suas consequências no tocante à questão
ambiental, além do desperdício do dinheiro público.
As tentativas do Marewa em alertar a socie-
dade civil e as autoridades sobre as consequências
da obra aos povos tradicionais, não foram suficien-
tes para impedir o funcionamento da obra, por outro
lado, as notícias vinculadas na mídia acerca do em-
preendimento dividiam-se entre interesses contrá-
rios e favoráveis à sua realização.
Por sua vez, os índios ainda estavam sen-
tindo os efeitos colaterais das investidas cruéis do
Exército brasileiro no episódio da construção da BR




