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Protagonismo e resistência dos Waimiri-Atroari na Amazônia
Os custos do empreendimento foram criti-
cados por diversos setores da sociedade civil e por
parte da mídia. O Jornal do Comércio, por exemplo,
estampou em sua edição de 31 de julho de 1988 a
manchete: “
Balbina é uma lamparina de 700 milhões
de dólares
”.
99
Segundo o articulista: “Por motivos
técnicos, a hidrelétrica de Balbina não vai conseguir
funcionar. A produção de energia, que tinha modes-
ta previsão, não será alcançada. Uma obra que já
custou 700 milhões de dólares pode não acender
uma lâmpada” (JORNAL DO COMÉRCIO, 1988).
No âmbito da grande imprensa, a capacidade
de geração de energia da Usina foi muito contesta-
da, pois girava em torno de apenas 250 MW, que
são distribuídos pelas cinco turbinas, responsáveis
apenas pela geração de 1/3 da demanda atual de
Manaus, que equivale a, aproximadamente, 40% do
consumo de energia.
As críticas gestadas no âmbito do Movimento
de Apoio a Resistência Waimiri e repercutidas na
grande imprensa encontravam guarida entre inte-
lectuais e cientistas brasileiros e estrangeiros. Um
desses, Philip Fearnside (1990) – um dos mais con-
ceituados cientistas no tocante à Amazônia – adverte
acerca dos problemas ocasionados pela construção
da Usina Hidrelétrica de Balbina e a sua relação des-
trutiva com o meio ambiente. O cientista também
alerta sobre os custos do empreendimento, que ex-
trapolaram o orçamento inicial. Isso pode ser per-
cebido a partir do acréscimo dos serviços na obra,
além da inexplicável atitude do ponto de vista econô-
99 O periódico ainda alertou para a possibilidade da construção de um
canal com, aproximadamente, 25 km para o desvio do rio Alalaú,
tendo como finalidade aumentar a vasão das turbinas e, consequen-
temente, aumentar a geração de energia. Todavia isso geraria um
custo, segundo o jornal de mais 700 milhões dólares para a constru-
ção de uma nova barragem, fato que agravaria ainda mais a situação
do meio ambiente e, por conseguinte, dos índios.




