Table of Contents Table of Contents
Previous Page  214 / 332 Next Page
Information
Show Menu
Previous Page 214 / 332 Next Page
Page Background

214

Protagonismo e resistência dos Waimiri-Atroari na Amazônia

tudo mais aprofundado, principalmente no que se

refere aos impactos ambientais trazidos por tal em-

preendimento às comunidades tradicionais.

Nessa ótica, o Governo civil-militar e a

Eletrobrás caminharam de mãos dadas para o mes-

mo objetivo, ou seja, tocar a construção de Balbina

o mais rápido possível. Isso pode ser confirmado

ao analisarmos o parecer final do Relatório de via-

bilidade econômica, produzido pelo Departamento

de Planejamento Energético da Eletrobrás, que de-

terminou expressamente o funcionamento imedia-

to do Empreendimento, vejamos: “O presente rela-

tório conclui que, sob o ponto de vista econômico,

a UHE Balbina deve entrar em funcionamento o

mais rápido possível e que as suas cinco unidades

devem entrar em funcionamento sequencialmente”

(RELATÓRIO DE VIABILIDADE ECONÔMICA UHE

BALBINA, 1978, p. 2).

O mais intrigante nisso tudo foi a postura

omissa da FUNAI, principalmente em relação a toda

a pressa determinada pelo Relatório, na medida em

que havia a necessidade por um estudo de impac-

to ambiental mais adensado, porém, isso só ocorreu

quase uma década depois, quando a Eletronorte,

no ano de 1987, enfim divulgou um estudo do diag-

nóstico ambiental sobre a construção da UHE de

Balbina, muito embora esse mesmo estudo também

tenha se debruçado em outras questões além das

consequências ambientais.

Nesse sentido, o Relatório final foi dividido a

partir de diversas abordagens, entre elas, podemos

destacar as que se referem aos aspectos do meio

físico, com destaque para as áreas de Geologia e

Geomorfologia, além dos aspectos espeleológicos.

96

96 Segundo o Grupo Bambuí de Pesquisas Espeleológicas, espeleologia

é o estudo das cavernas, de sua gênese e evolução, do meio físico

que elas representam, de seu povoamento biológico atual ou passa-