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Protagonismo e resistência dos Waimiri-Atroari na Amazônia
tudo mais aprofundado, principalmente no que se
refere aos impactos ambientais trazidos por tal em-
preendimento às comunidades tradicionais.
Nessa ótica, o Governo civil-militar e a
Eletrobrás caminharam de mãos dadas para o mes-
mo objetivo, ou seja, tocar a construção de Balbina
o mais rápido possível. Isso pode ser confirmado
ao analisarmos o parecer final do Relatório de via-
bilidade econômica, produzido pelo Departamento
de Planejamento Energético da Eletrobrás, que de-
terminou expressamente o funcionamento imedia-
to do Empreendimento, vejamos: “O presente rela-
tório conclui que, sob o ponto de vista econômico,
a UHE Balbina deve entrar em funcionamento o
mais rápido possível e que as suas cinco unidades
devem entrar em funcionamento sequencialmente”
(RELATÓRIO DE VIABILIDADE ECONÔMICA UHE
BALBINA, 1978, p. 2).
O mais intrigante nisso tudo foi a postura
omissa da FUNAI, principalmente em relação a toda
a pressa determinada pelo Relatório, na medida em
que havia a necessidade por um estudo de impac-
to ambiental mais adensado, porém, isso só ocorreu
quase uma década depois, quando a Eletronorte,
no ano de 1987, enfim divulgou um estudo do diag-
nóstico ambiental sobre a construção da UHE de
Balbina, muito embora esse mesmo estudo também
tenha se debruçado em outras questões além das
consequências ambientais.
Nesse sentido, o Relatório final foi dividido a
partir de diversas abordagens, entre elas, podemos
destacar as que se referem aos aspectos do meio
físico, com destaque para as áreas de Geologia e
Geomorfologia, além dos aspectos espeleológicos.
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96 Segundo o Grupo Bambuí de Pesquisas Espeleológicas, espeleologia
é o estudo das cavernas, de sua gênese e evolução, do meio físico
que elas representam, de seu povoamento biológico atual ou passa-




