Table of Contents Table of Contents
Previous Page  221 / 332 Next Page
Information
Show Menu
Previous Page 221 / 332 Next Page
Page Background

Eduardo Gomes da Silva Filho

221

mico de atrelar o seu contrato de construção junto

às empreiteiras à cotação do dólar.

Enquanto a grande imprensa enfatizava

os gastos excessivos e a baixa geração de energia,

o Marewa enfatizava os danos ambientais que a

construção da obra causaria ao modo de vida dos

Waimiri-Atroari:

100

Impedidos os índios de ocupar o seu chão imemo-

rial, ficou mais fácil para o Governo Federal mani-

pular mapas e leis a favor dos interesses alieníge-

nas, alegando que os índios desocuparam aquele

território. [...] isso significa que a inundação pela

hidrelétrica de Balbina causará alterações climáti-

cas, perda do peixe, dos ovos de tracajá e da caça.

Causará ainda, o desaparecimento do tipo de ha-

bitat natural e perda da vegetação ribeirinha, a al-

teração da fauna aquática pela mudança das cor-

rentes movimentosas em águas paradas, a criação

de ambientes favoráveis à proliferação de pragas,

100 Com o objetivo de confirmar

in loco

as denúncias feitas pelo Marewa,

solicitamos junto à Eletronorte uma autorização para pesquisa de

campo, que foi atendida no dia 15 de outubro de 2013, pelo Gerente

do Departamento de Geração de Balbina – DTB, o Sr. Rubens

Alessandro O. C Seixas. A visita foi agendada para o dia 18 de outu-

bro de 2013, uma sexta feira, às 14h. Na referida data, deslocamo-nos

da cidade de Manaus ainda pela manhã, chegando à Balbina próximo

ao horário agendado, onde tivemos a oportunidade de conferir todas

as instalações internas e externas, além de tirar dúvidas sobre o fun-

cionamento da hidrelétrica com um instrutor previamente fornecido

pela administração da mesma. Logo em seguida, fomos conferir os

impactos ambientais causados pela construção de Balbina, na bacia

do rio Uatumã, no lago que foi formado a partir do represamento das

águas, onde hoje se encontra a Reserva Biológica do Uatumã. Este

fato só foi possível graças ao gentil ato do Sr. Pantoja, que trabalha

para um empresário local com uma rabeta, fazendo o translado de

turistas dentro do lago de Balbina que concordou em nos levar ao

referido lago, para que pudéssemos visualizar de perto as consequên-

cias ambientais que foram causadas à fauna e a flora.

Ao chegarmos ao lago, deparamo-nos com as caucaias e com as mui-

tas paliteiras mortas, em decorrência do apodrecimento de suas raí-

zes pelo alagamento provocado pela construção da usina, além da

liberação de gases nocivos ao meio ambiente, atrelado a já conhecida

baixa produtividade energética.