Eduardo Gomes da Silva Filho
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mico de atrelar o seu contrato de construção junto
às empreiteiras à cotação do dólar.
Enquanto a grande imprensa enfatizava
os gastos excessivos e a baixa geração de energia,
o Marewa enfatizava os danos ambientais que a
construção da obra causaria ao modo de vida dos
Waimiri-Atroari:
100
Impedidos os índios de ocupar o seu chão imemo-
rial, ficou mais fácil para o Governo Federal mani-
pular mapas e leis a favor dos interesses alieníge-
nas, alegando que os índios desocuparam aquele
território. [...] isso significa que a inundação pela
hidrelétrica de Balbina causará alterações climáti-
cas, perda do peixe, dos ovos de tracajá e da caça.
Causará ainda, o desaparecimento do tipo de ha-
bitat natural e perda da vegetação ribeirinha, a al-
teração da fauna aquática pela mudança das cor-
rentes movimentosas em águas paradas, a criação
de ambientes favoráveis à proliferação de pragas,
100 Com o objetivo de confirmar
in loco
as denúncias feitas pelo Marewa,
solicitamos junto à Eletronorte uma autorização para pesquisa de
campo, que foi atendida no dia 15 de outubro de 2013, pelo Gerente
do Departamento de Geração de Balbina – DTB, o Sr. Rubens
Alessandro O. C Seixas. A visita foi agendada para o dia 18 de outu-
bro de 2013, uma sexta feira, às 14h. Na referida data, deslocamo-nos
da cidade de Manaus ainda pela manhã, chegando à Balbina próximo
ao horário agendado, onde tivemos a oportunidade de conferir todas
as instalações internas e externas, além de tirar dúvidas sobre o fun-
cionamento da hidrelétrica com um instrutor previamente fornecido
pela administração da mesma. Logo em seguida, fomos conferir os
impactos ambientais causados pela construção de Balbina, na bacia
do rio Uatumã, no lago que foi formado a partir do represamento das
águas, onde hoje se encontra a Reserva Biológica do Uatumã. Este
fato só foi possível graças ao gentil ato do Sr. Pantoja, que trabalha
para um empresário local com uma rabeta, fazendo o translado de
turistas dentro do lago de Balbina que concordou em nos levar ao
referido lago, para que pudéssemos visualizar de perto as consequên-
cias ambientais que foram causadas à fauna e a flora.
Ao chegarmos ao lago, deparamo-nos com as caucaias e com as mui-
tas paliteiras mortas, em decorrência do apodrecimento de suas raí-
zes pelo alagamento provocado pela construção da usina, além da
liberação de gases nocivos ao meio ambiente, atrelado a já conhecida
baixa produtividade energética.




