Eduardo Gomes da Silva Filho
213
prometidos. Vejamos, agora, outro pequeno quadro
comparativo elaborado pelo Marewa em 1984, com-
parando a disparidade entre a produção energética
de Balbina com outras hidrelétricas:
Quadro 04 –
Contribuições energéticas
de Itaipú, Tucuruí e Balbina.
Hidrelétrica Reservatório Produção
Itaipú
1.350 km2
12.000 MW
Tucuruí
2.160 km2
4.000 MW
Balbina
4.000 km2
240 MW
Fonte:
MAREWA, 1984, p. 12.
Destarte, o Governo civil-militar movido pela
ideia ufanista de progresso, encomendou junto a
Eletrobrás uma série de estudos preliminares, com o
objetivo de inteirar-se da possível viabilidade do pro-
jeto. A primeira preocupação do Governo foi justa-
mente com a questão financeira, na medida em que
ele solicitou com brevidade junto ao Departamento
de Planejamento Energético e da Divisão de Estudos
de Recursos Energéticos da Eletrobras, um Relatório
de viabilidade econômica, que foi entregue no ano de
1978, sobre a construção da hidrelétrica de Balbina.
Todavia, esse mesmo Governo, parece ter
“esquecido” que a área onde seria construída a hi-
drelétrica tratava-se do território demarcado do povo
Waimiri-Atroari, desde meados de 1971. Apesar do
Decreto do Presidente Médici ter deixado grande par-
te do território tradicionalmente habitado por este
povo de fora deste Decreto. Mesmo assim, a usina,
em sua totalidade, estava prevista para ocupar a ba-
cia do rio Uatumã, que é comprovadamente território
indígena. Porém, a pressa para suprir a demanda
necessária da cidade de Manaus, que, por sua vez,
era berço da Zona Franca, parecia ser mais impor-
tante do que a encomenda com urgência de um es-




