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Protagonismo e resistência dos Waimiri-Atroari na Amazônia

des humanas tratando-as como objetos da política

estatal:

A dimensão política intrínseca aos processos de

concepção, decisão e execução de um empreen-

dimento de engenharia é escamoteada. O Esta-

do, autor da obra, é falsamente identificado com

a “sociedade” brasileira abstrata, e as sociedades

concretas são postas como

objetos para o Esta-

do

. A obra, enfim, é passada como catástrofe (ou,

como preferem os planejadores, milagre) natural,

acontecimento que se gesta e se gere fora do al-

cance da vontade política da sociedade, em par-

ticular dos setores sociais “afetados” (VIVEIROS

DE CASTRO; ANDRADE, 1988, p. 10. Grifo dos

autores).

A partir do exposto, fica patente a ausência

da participação da sociedade civil em importantes

decisões de interesse público, notadamente quando

tais ações impactam povos tradicionais. No caso es-

pecífico de Balbina, isso só despertou a atenção do

Ministério Público Federal quase três décadas depois

do início da construção da usina. Embora de forma

tardia, as reivindicações do Procurador Regional da

República, Dr. Franklin Rodrigues da Costa, mate-

rializaram-se em um processo que questionou à le-

galidade da outorga de títulos de terras feitas pelo

Estado do Amazonas a empresários paulistas, que

foram beneficiados com o loteamento de 3.000 hec-

tares de terras entre os anos de 1969-1971.

91

O mesmo processo ainda aponta a absurda

indenização concedida pela Eletronorte aos conces-

sionários, demonstrando com detalhes o esquema

fraudulento que foi montado, mesmo com quase to-

dos eles residindo no Estado de São Paulo, como nos

mostra uma parte dele a seguir:

91 Isso ocorreu justamente na área em que seria construída a Usina

Hidrelétrica de Balbina.