192
Protagonismo e resistência dos Waimiri-Atroari na Amazônia
mento veio um tanto quanto tardia, porém necessá-
ria. Em pesquisa aos arquivos do CIMI, deparamo-
-nos com uma reportagem feita pelo Jornal A Crítica,
de 09 de junho de 1987, que estampou a seguinte
matéria “Área do Pitinga volta para Waimiri-Atroari”:
Com a identificação e delimitação da área dos Wai-
miri-Atroari pelo grupo interministerial, na reunião
ordinária do último dia 05, os 526 mil hectares ex-
plorados pela Mineradora Paranapanema, voltarão
a ser de propriedade indígena e a empresa deverá
ser expulsa daquela região, localizada a 350 quilô-
metros de Manaus. A área identificada pelo grupo
interministerial formado pela FUNAI, por um re-
presentante do Ministério do Interior, por um do
Ministério da Reforma Agrária e um representante
do Conselho de Segurança Nacional, corresponde
a um total de 2.966.000 hectares. Agora, o estu-
do da área será levado ao conhecimento dos Mi-
nistros do Minter para posterior encaminhamento
ao Presidente da República para ser demarcada,
a fim de que os índios tenham garantido a defesa
do seu ecossistema e a integridade da sua cultura.
Os 526 mil hectares foram conseguidos pela Para-
napanema através de um decreto em que o Gover-
no Federal extingue a reserva dos Waimiri-Atroari
e delimita a área indígena em apenas 2.440.000
hectares. Nessa mudança, o então Presidente Fi-
gueiredo desmembrou 526 mil hectares (área que
concentra a maior mina de cassiterita do mundo),
da reserva e entregou a uma exploração do minério
à Paranapanema. No entanto, com a nova decisão
do grupo interministerial, a área onde está loca-
lizada a mineradora Paranapanema voltará a ser
dos Waimiri-Atroari. O estudo para a identificação
e delimitação dos 2.966.000 hectares foi elaborado
pela FUNAI, juntamente com a Eletronorte (A CRÍ-
TICA, 1987).
Ainda de acordo com a mesma reportagem,
o coordenador do CIMI na época, Guenter Francisco
Loebens, considerou a devolução da área Waimiri-
Atroari como uma vitória dos interesses indíge-




