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Protagonismo e resistência dos Waimiri-Atroari na Amazônia
Portanto, é notório que o religioso já estava
saturado com a negligência da FUNAI, que se omi-
tia cada vez mais do seu verdadeiro papel, que é a
defesa dos povos indígenas. Todavia, as denúncias
dos desmandos cometidos pelos órgãos oficiais e pe-
las mineradoras estavam cada vez maiores, ao passo
que o Departamento Nacional de Produção Mineral,
estava a cada dia mais envolvido com o esbulho das
terras indígenas. Nesse sentido, tanto representan-
tes do DNPM, quanto da Empresa Paranapanema,
foram convidados para uma reunião a realizar-se
nas dependências da Universidade do Amazonas –
UA, com o objetivo de esclarecer junto a comunidade
acadêmica as denúncias em que ambos os órgãos
estavam envolvidos, no tocante, principalmente, à li-
beração de 537 Alvarás de pesquisa e 1732 registros
de terras indígenas concedidos pelo DNPM.
No entanto, ambos os órgãos não mandaram
representantes, fato que foi denunciado na edição
do Jornal do Comércio, de 27 de setembro de 1986,
como nos aponta a matéria abaixo:
A recusa do Departamento Nacional de Produção
Mineral – DNPM e da Paranapanema em partici-
par dos debates promovidos pela Universidade do
Amazonas, foi duramente criticada ontem pelo Rei-
tor Roberto Vieira e pelos coordenadores de exten-
são da UA, Ademir Ramos e do convênio Funai/UA,
Frederico Arruda. Convidado com dez dias de an-
tecedência o DNPM apresentou como justificativa
despreparo para enfrentar os debates e adiantando
que a Paranapanema também não compareceria
(JORNAL DO COMÉRCIO, 1986).
Todavia a notícia da ausência dos principais
envolvidos desagradou em cheio aos organizadores
do encontro, que argumentaram que tais ausências
dificultariam a compreensão desses dois órgãos fren-
te às questões amazônicas, principalmente no to-




