Eduardo Gomes da Silva Filho
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Reafirmamos o extermínio de vários povos indíge-
nas da região amazônica nestes últimos anos, a
exemplo do que ainda vem ocorrendo com os Wai-
miri-Atroari. Lembramos que o vazio demográfico
a que alude o Diretor do DPMN é consequência do
extermínio secular perpetrado contra os povos in-
dígenas (A CRÍTICA, 1984).
Todavia as denúncias do CIMI, Marewa e da
Prelazia de Itacoatiara não pararam, além disso, par-
te da mídia local protestou veementemente contra as
declarações que foram dadas pelo Engenheiro José
Belford dos Santos Bastos, Diretor do 8º Distrito
do Departamento Nacional de Produção Mineral –
DNPM ao Jornal A Crítica, quando o mesmo alegou
que:
É realmente difícil dialogar com pessoas que se
escudam através de “instituições”, utilizando-se
de termos grosseiros cuja manipulação nunca nos
atraiu. Prefiro, ao contrário, usar temos claros,
diretos, objetivos, realistas, sem sofismas, eufe-
mismos e outros “ismos”, subscrevendo sempre
tudo àquilo que escrevo. O “Movimento de Apoio
à Resistência Waimiri-Atroari”, a “Equipe Indi-
genista da Prelazia de Itacoatiara” e o “Conselho
Indigenista de Itacoatiara”, entidades desconheci-
das e sem qualquer autoridade para chamar a si
o direito de opinar sobre legislação Mineral, vem,
agora fazer colocações desairosas ao Ministério do
Interior e a FUNAI, como se fossem os senhores da
verdade. Mencionam a existência de documentação
em mãos do DNPM, “a menos que alguma ação ou
fogueira criminosa tenha destruído” (A CRÍTICA,
1984).
As palavras de ódio proferidas pelo Sr. José
Belford, são reflexos de anos de ressentimentos pro-
vocados por uma política anti-indigenista, na qual
ele era naquele momento, um dos mais ferrenhos
defensores. Nesse sentido, a estratégia de reordena-
mento territorial articulada pela FUNAI e DNPM foi




