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Protagonismo e resistência dos Waimiri-Atroari na Amazônia

caberiam naquele modelo imposto, pois nesse mo-

delo, às terras indígenas e consequentemente os mi-

nérios, então sujeitos a uma lógica produtiva, que

não vê com bons olhos os índios, tidos como agentes

causadores de tensões e conflitos.

Nessa ótica, o modelo econômico brasileiro,

que é altamente dependente desse tipo de exploração

mineral, visou tão somente aumentar suas exporta-

ções e, por conseguinte, o seu próprio lucro. Ao pas-

so que ele necessita – seguindo uma lógica nociva de

mercado, ocupar indiscriminadamente os territórios

tradicionalmente ocupados. Nesse sentido, o grupo

de exploração mineral representado pela Empresa

Paranapanema, não mediu esforços para tentar a

todo custo inviabilizar a demarcação da terra indí-

gena Waimiri-Atroari, além disso, o mais agravante

foi à forma agressiva, desumana e covarde que tudo

isso ocorreu, baseado em uma operação de invasão

territorial e exploração, com a conivência da FUNAI,

que ao fechar os olhos para a concessão indiscrimi-

nada dos Alvarás, cooperou com a ação mineradora

no território indígena.

A inércia da FUNAI e a cooperação com o

indigenismo empresarial

A partir deste momento, a situação dos índios

Waimiri-Atroari sofreu um agravamento, mesmo

com toda a resistência apresentada, eles já sofriam

as consequências do avanço dos grandes projetos

em suas terras. Sobre essa questão, as direções da

Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB

Norte I e do Conselho Indigenista Missionário – CIMI,

publicaram a seguinte nota na edição do Jornal A

Crítica, de 19 de setembro de 1984, com o título:

“Indígenas sofrem extermínio secular”: