Eduardo Gomes da Silva Filho
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índios [...]. Antes cansou de chegar 300, 400 índios
no barraco da gente (Ibid., p. 229. Tomo II).
Nesse sentido, denúncias feitas pela Equipe
da Pastoral Indigenista da Prelazia de Itacoatiara em
1982, já eram frequentes, vejamos: “da manutenção
de um ambiente de invasão militar, inclusive usando
a força armada” (Prelazia de Itacoatiara, 07 de julho
de 1982). Sendo assim, “[...] às populações indígenas
são vítimas de todas as injustiças. A própria política
indigenista, por ser mais política do que indigenista,
está merecendo as mais severas críticas, a ponto de
ser considerada “carente” de qualquer mérito, e um
amontoado de contradições” (CIMI, 1973, p. 11).
Ao observar toda a resistência do povo
Waimiri-Atroari frente à construção da estrada, par-
te da mídia ainda continuava alertando a sociedade
civil acerca do futuro dos índios, um exemplo disso,
veio à tona em uma matéria publicada pelo Jornal O
Globo, no dia 07 de março de 1977, que trouxe em
sua manchete, “
Ligação Manaus-Boa Vista pode aca-
bar com waimiris
” e prosseguiu: “A BR 174, de vital
importância para a região, pois permitiu pela primei-
ra vez um contato rodoviário entre as duas cidades,
fatalmente terá influência na vida dos 400 índios
waimiri-atroari que ainda restam” (O GLOBO, 1977).
Ao final dos anos 70 do século XX e início
dos anos 80, as articulações do CIMI, da Pastoral
Indigenista da Prelazia de Itacoatiara e do Movimento
de Apoio à Resistência Waimiri-Atroari – MAREWA,
intensificaram-se, principalmente no que diz respeito
às denuncias contra a política indigenista praticada
pela FUNAI e o Exército, no caso da BR 174, além dos
casos que viriam a envolver a Paranapanema, ligada
à mineração no território indígena, da Eletronorte e
posteriormente do Programa Waimiri-Atroari – PWA,
no caso da Usina Hidrelétrica de Balbina, fatos que




