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Protagonismo e resistência dos Waimiri-Atroari na Amazônia
BR 174 que foi inaugurado no primeiro semestre de
1973, evento este muito valorizado pelos militares
na época, como símbolo de conquista territorial e da
integração nacional.
Todavia, em 24 de janeiro de 1975, portan-
to, quase um ano antes da rodovia ser concluída,
houve uma reunião com o Presidente da FUNAI, o
General Ismarth de Araújo Oliveira, ao qual tivemos
o acesso a ata desta reunião
66
, com os seguintes con-
selheiros: Major Brigadeiro Carlos Alberto Ferreira
Lopes, Professor Padre Francisco Leme Lopes,
Professor Manuel Diegues Júnior, Professora Maria
da Conceição Morais Coutinho Beltrão, Professor
Solon Leontsinis, e o Doutor Luís Antônio de Patrício
Ribeiro.
Atendendo ao convite do Presidente da
FUNAI, também estiveram presentes nesta reunião
os antropólogos: Olympio Serra, Hélio Rocha, Ney
Land, Carlos Araújo Moreira e Roberto da Matta. A
pauta do dia era: “O problema dos índios Waimiri-
Atroari”, como se os índios fossem um problema. A
esse respeito, o General Ismarth de Araújo comentou
“Há uma coisa que é certa, a decisão do Governo, que
é irreversível, de continuar a estrada” (FUNAI, 1975).
A partir dessa fala feita pelo Presidente da FUNAI,
não resta dúvida de que a estrada seria concluída,
independente de qualquer coisa, e neste caso, os ín-
dios ainda eram tidos como obstáculos.
O debate seguiu com os ânimos exaltados en-
tre os representantes do Exército e os Antropólogos,
Fronteira na região. Seu objetivo principal era o lema da integração
nacional, com o projeto de interligar as cidades de Manaus a Boa
Vista, Caracaraí, indo pela BR-319 a Porto Velho e, de lá, pela BR-
364 a Cuiabá e Brasília.
66 Ata redigida pelo chefe da Secretaria do Conselho Indigenista
da FUNAI, Sr. Mário Pompeu de Castro Ferreira, assinada pelo
Presidente da FUNAI e demais Conselheiros (Ata da 81ª seção/Funai,
em 24 de janeiro de 1975).




