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Protagonismo e resistência dos Waimiri-Atroari na Amazônia

provocados pela incúria e inabilidade de terceiros,

a serviço das frentes de trabalho da estrada BR-

174. [...] A frente de Atração em suas investigações

e pesquisas, chegou a tomar conhecimento dos

possíveis autores do massacre os quais sempre

manifestaram bons sentimentos e muita cordiali-

dade com o pessoal da Frente de Atração, embora

demonstrassem certo ressentimento com trabalha-

dores da estrada [...] (Ibid., p. 14-15).

Ao analisarmos o discurso do sertanista ao

longo do documento, podemos inferir que às relações

entre os índios e os trabalhadores da frente de atra-

ção oscilaram bastante. Percebemos que isso ocor-

reu face às ameaças representadas pela construção

da estrada, além da presença dos próprios emprega-

dos, que no caso dos trabalhadores da estrada, eram

vistos pelos índios como uma ameaça ao seu terri-

tório e ao seu modo de vida. Contudo, essa atitude

dos índios não se tratava de uma resposta dada por

indivíduos, mas de guerreiros seguindo deliberações

coletivas.

De acordo com o documento, os trabalhado-

res da frente de atração da FUNAI presenteavam os

índios com frequência e isso gerava uma sensação

de amabilidade e segurança entre ambos, porém, ao

sentirem-se ameaçados com a possibilidade da saída

do seu território, os guerreiros Waimiri-Atroari agi-

ram com firmeza em sua defesa.

Portanto, este episódio não pode ser visto

como um ato de violência gratuita e sim de violên-

cia legítima, ancorada na autodefesa de comunida-

des ameaçadas por doenças, destruição de seu am-

biente, invasão de suas terras, desrespeito as suas

instituições e pela expansão dos brancos sobre seu

território.

O protagonismo indígena expresso na capa-

cidade de dar continuidade a um processo multis-