Eduardo Gomes da Silva Filho
89
de quaisquer interesses dos povos indígenas. Além
disso, outro fato que merece ser questionado é a
postura etnocêntrica do Governador, quando deixou
transparecer em sua fala que o índio não é ser hu-
mano e nem útil à Pátria.
Atrelado a isso, a mídia nacional explorava
cada vez mais o assunto, deixando um clima de ins-
tabilidade no ar, como no caso da matéria publicada
pelo Jornal do Brasil, em 08 de dezembro de 1968,
intitulada “O massacre da missão do padre Calleri
fez voltar à tona um problema sério”, nesse sentido,
o jornal aponta que: “A persistência de notícias sobre
o extermínio da expedição do padre Calleri, por par-
te dos atroaris, deve encobrir interesses econômicos
contrariados [...]” (JORNAL DO BRASIL, 1968).
No entanto, o discurso autoritário foi comba-
tido por intermédio de uma equipe da pastoral indi-
genista da Prelazia de Itacoatiara, que tinha, entre
outros membros, o casal Egydio e Doroti Schwade.
Emmaio de 1981, um Relatório produzido por Egydio
Schwade em parceria com Verenilde Pereira chama-
do: “
Nem bárbaros nem integrados: Waimiri-Atroari
,”
propôs uma análise geral no caso do massacre
Calleri. O Relatório remete ao “massacre” de 1968,
quando grande parte da população amazonense es-
tava chocada com o ocorrido, no entanto, grande
parte desta comoção deu-se a partir do enfoque da
mídia ao caso, segundo demonstra-nos o documen-
to: “Em letras garrafais a imprensa nacional divulga-
va o ‘terrível massacre’ dos índios Waimiri e Atroari
contra a expedição do Padre Calleri” (SCHWADE;
PEREIRA, 1981, p. 1).
O destaque e o teor sensacionalista da cober-
tura jornalística teriam contribuído para aumentar
o clima de revolta e insegurança, “contra esses ín-
dios selvagens que haviam trucidado nove pessoas”
(Ibid., p.1). Dessa forma, antigos preconceitos e me-




