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Protagonismo e resistência dos Waimiri-Atroari na Amazônia
No entanto, o próprio Congresso Nacional fi-
cou de fora do processo de criação do Projeto Calha
Norte, “que só lhe chegou comunicação oficial em ou-
tubro/87”. (OLIVEIRA, 1990, p.17). Nesse sentido,
a opinião pública só veio saber oficialmente do fato
por meio de uma denúncia promovida pelo Conselho
Indigenista Missionário – CIMI, mais de um ano
depois.
A ocupação da Amazônia em grande esca-
la era considerada para o governo civil-militar uma
prioridade, tanto em termos econômicos, quanto da
perspectiva Geopolítica, pois na visão dos militares a
ocupação desse espaço serviria para absorver a ten-
são social, além de fornecer novos recursos e ampliar
o mercado interno, mantendo assim a soberania do
Brasil na América do Sul.
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Deste modo, a ocupação militar na Amazônia
brasileira fez-se presente em diversos locais estratégi-
cos para as suas pretensões, entre eles podemos des-
tacar a atuação de vários Batalhões de Infantaria de
Selva – BIS, em Tabatinga – 8º BIS, divido em dois pe-
lotões, Pelotão Ipiranga e Pelotão Vila Bittencourt. Já
em Roraima, situado na cidade de Boa Vista, foi im-
plantado o 7º BIS, que foi dividido em cinco Pelotões:
Pelotão Bonfim, Pelotão Surucucu, Pelotão Normandia,
Pelotão Pacaraima – BV8 e Pelotão Auaris.
Em São Gabriel da Cachoeira, município lo-
calizado ao extremo norte do Estado do Amazonas, o
comando de fronteira do Exército implantou o 5º BIS,
também divido em cinco Pelotões: Pelotão Yauaretê,
Pelotão Querarí, Pelotão São Joaquim, Pelotão Curuíe
o Pelotão Maturacá. No Estado do Amapá, na cidade
de Macapá, instalou-se o 3º BIS, com a Companhia
de Clevelândia do Norte.
18 Ver SILVA FILHO, Eduardo Gomes da.
No rastro da tragédia: proje-
tos desenvolvimentistas na terra indígena Waimiri-Atroari
. Tessituras,
Pelotas, v. 2, n. 2, p.293-314, jul./dez. 2014.




