58
Protagonismo e resistência dos Waimiri-Atroari na Amazônia
Nesse sentido, para que fosse possível tor-
nar realidade esse projeto governamental, fez-
-se necessário a implantação de uma grande in-
fraestrutura, formada pela Usina Hidrelétrica de
Tucuruí, a Estrada de Ferro Carajás e o Porto de
Ponta da Madeira, localizado no Porto do Itaqui,
em São Luís. Das mediações da Serra de Carajás
até o Porto do Itaqui, em São Luís, foi construída
uma ferrovia com o objetivo facilitar o escoamento
mineral.
Nessa ótica, às condições hídricas dos rios
amazônicos foram fundamentais para o escoamen-
to dos minerais extraídos e também para assegu-
rar a operação da Usina de Tucuruí, necessária
para o funcionamento das indústrias de transfor-
mação de minerais. Porém, o projeto era baseado
em uma lógica de incorporação de determinados
grupos sociais que pudessem dar uma resposta rá-
pida aos interesses econômicos tanto do governo,
quanto das empresas.
Destarte, ficaram excluídos das frentes de
trabalho remuneradas, os povos indígenas que ha-
bitavam a região, além de vários camponeses, sob
a alegação de uma possível “não adaptação”, em
decorrência dos seus hábitos de vida tradicionais.
Todavia é notório que tais medidas foram toma-
das em favorecimento dos grandes latifundiários,
ligados ao fortalecimento da macroeconomia, no
entanto, é válido ressaltar que o povo da Terra
Indígena Parakanã
15
já habitava tradicionalmen-
te a região bem antes da implantação da Usina
Hidrelétrica de Tucuruí, como podemos observar
na figura abaixo.
15 O termo ‘Parakanã’ não corresponde a uma autodenominação. Os
Parakanã se dizem
awaeté
, ‘gente (humanos) de verdade’, em oposi-
ção à
akwawa
, categoria genérica para estrangeiros.




