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Protagonismo e resistência dos Waimiri-Atroari na Amazônia

Nesse sentido, para que fosse possível tor-

nar realidade esse projeto governamental, fez-

-se necessário a implantação de uma grande in-

fraestrutura, formada pela Usina Hidrelétrica de

Tucuruí, a Estrada de Ferro Carajás e o Porto de

Ponta da Madeira, localizado no Porto do Itaqui,

em São Luís. Das mediações da Serra de Carajás

até o Porto do Itaqui, em São Luís, foi construída

uma ferrovia com o objetivo facilitar o escoamento

mineral.

Nessa ótica, às condições hídricas dos rios

amazônicos foram fundamentais para o escoamen-

to dos minerais extraídos e também para assegu-

rar a operação da Usina de Tucuruí, necessária

para o funcionamento das indústrias de transfor-

mação de minerais. Porém, o projeto era baseado

em uma lógica de incorporação de determinados

grupos sociais que pudessem dar uma resposta rá-

pida aos interesses econômicos tanto do governo,

quanto das empresas.

Destarte, ficaram excluídos das frentes de

trabalho remuneradas, os povos indígenas que ha-

bitavam a região, além de vários camponeses, sob

a alegação de uma possível “não adaptação”, em

decorrência dos seus hábitos de vida tradicionais.

Todavia é notório que tais medidas foram toma-

das em favorecimento dos grandes latifundiários,

ligados ao fortalecimento da macroeconomia, no

entanto, é válido ressaltar que o povo da Terra

Indígena Parakanã

15

já habitava tradicionalmen-

te a região bem antes da implantação da Usina

Hidrelétrica de Tucuruí, como podemos observar

na figura abaixo.

15 O termo ‘Parakanã’ não corresponde a uma autodenominação. Os

Parakanã se dizem

awaeté

, ‘gente (humanos) de verdade’, em oposi-

ção à

akwawa

, categoria genérica para estrangeiros.