Table of Contents Table of Contents
Previous Page  274 / 332 Next Page
Information
Show Menu
Previous Page 274 / 332 Next Page
Page Background

274

Protagonismo e resistência dos Waimiri-Atroari na Amazônia

dominação dos Waimiri-Atroari pelos servidores e

modelava esta relação. A maioria dos funcionários

incorporava palavras da língua Waimiri-Atroari

nesta linguagem, modifícando-as, e os Waimiri-A-

troari que conviviam mais com eles seguiam estas

modificações da sua própria língua. Tais erros de

pronúncia, por parte dos funcionários, não eram

sempre falta de capacidade de articular as pala-

vras Waimiri-Atroari, mas sim, uma modificação,

que, embora não feita com consciência lingüística,

era uma manifestação de desprezo. Assim, distan-

ciavam-se dos Waimiri-Atroari, reconstruindo até

a língua destes para tentar forçá-los a se submeter

a seu mando e a repudiarem sua própria língua

(BAINES, 1996, p. 11-12).

O antropólogo remete-nos a um período an-

terior a atuação do casal de missionários na aldeia

Yawará, a atitude colonialista empregada pelos fun-

cionários da FUNAI, face à língua indígena, expli-

citaram as manipulações que ocorreram por parte

do PWA, da FUNAI e da Eletronorte. Tanto antes,

quanto após a expulsão de Egydio e Doroti Schwade

da aldeia indígena, essa ação foi uma retaliação por

causa do trabalho dos missionários junto aos índios,

que a cada dia tornava-se mais revelador, como

aponta a figura abaixo:

Figura 17 –

SEHE, Gerôncio. Desenho Kiña: Homem chorando

ao ser metralhado. Escola Yawarà, 18 de novembro de 1985.

Fonte:

Acervo pessoal da família Schwade.