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Protagonismo e resistência dos Waimiri-Atroari na Amazônia
dominação dos Waimiri-Atroari pelos servidores e
modelava esta relação. A maioria dos funcionários
incorporava palavras da língua Waimiri-Atroari
nesta linguagem, modifícando-as, e os Waimiri-A-
troari que conviviam mais com eles seguiam estas
modificações da sua própria língua. Tais erros de
pronúncia, por parte dos funcionários, não eram
sempre falta de capacidade de articular as pala-
vras Waimiri-Atroari, mas sim, uma modificação,
que, embora não feita com consciência lingüística,
era uma manifestação de desprezo. Assim, distan-
ciavam-se dos Waimiri-Atroari, reconstruindo até
a língua destes para tentar forçá-los a se submeter
a seu mando e a repudiarem sua própria língua
(BAINES, 1996, p. 11-12).
O antropólogo remete-nos a um período an-
terior a atuação do casal de missionários na aldeia
Yawará, a atitude colonialista empregada pelos fun-
cionários da FUNAI, face à língua indígena, expli-
citaram as manipulações que ocorreram por parte
do PWA, da FUNAI e da Eletronorte. Tanto antes,
quanto após a expulsão de Egydio e Doroti Schwade
da aldeia indígena, essa ação foi uma retaliação por
causa do trabalho dos missionários junto aos índios,
que a cada dia tornava-se mais revelador, como
aponta a figura abaixo:
Figura 17 –
SEHE, Gerôncio. Desenho Kiña: Homem chorando
ao ser metralhado. Escola Yawarà, 18 de novembro de 1985.
Fonte:
Acervo pessoal da família Schwade.




