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Protagonismo e resistência dos Waimiri-Atroari na Amazônia
estudar ali, o que mostra todo o ambiente que não
tinha, ninguém, queria, e nem esperava da nossa
saída, pelo contrário. Em outras aldeias no Maca-
naú, depois o Márcio quando começou a trabalhar
lá eles não queriam que [...] eles só permitiram que
ele fizesse a sua pesquisa, que ele foi como pesqui-
sador, se ele também introduzisse a alfabetização
no mesmo estilo que nós tínhamos inicializado lá
em (Yawará). Quer dizer, as coisas já corriam por lá
e tinha passado até também um rapaz de lá e tinha
visto. Então fomos levados para fora. Inclusive, não
é, o Adu era menininho, pequeno, foi eu, o Adu e a
Maiá, né? (SCHWADE, 2013).
Foi a partir deste depoimento que Egydio
Schwade começou a nos esclarecer a maneira como
se deu a inesperada expulsão dele e de sua espo-
sa Doroti Schwade da aldeia Yawará, em 1986. O
material etnográfico produzido pelos índios e reco-
lhido pelo casal, demonstram claramente os massa-
cres aos quais os índios foram submetidos durante
o regime civil-militar. Por outro lado, isso parece ter
desagradado em cheio a FUNAI, que desde o início
da fase de atração deste povo, já se posicionara coni-
vente a ação dos grandes projetos na terra indígena.
As práticas tutelares da FUNAI já eram co-
nhecidas do casal de missionários, isso ficou eviden-
te na fala de Egydio, que descreveu em entrevista a
coação que ele e a sua esposa sofreram da FUNAI
para deixarem a aldeia indígena, relacionando-a a
construção da UHE Balbina, vejamos:
Só que num dado momento, né, em meados de 86
começou uma futricação, né, de ter essa usina, [...]
alegaram que os índios queriam a nossa saída, que
não queriam o Stephen, como expulsaram, que-
riam expulsar também o Márcio Silva, né? Tudo
criação mesmo porque os índios estavam felizes.
Todo tempo nós [...] inclusive um funcionário da
FUNAI encarregado de fazer a [...] assim, de apre-
sentar as motivações, o relatório da nossa expul-
são, ele no final diz que a amizade que os índios




