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Protagonismo e resistência dos Waimiri-Atroari na Amazônia
Como vimos, muito embora este tenha sido
um dos motivos pelos quais os missionários foram
expulsos, outra versão surgiu com intensidade e foi
divulgada de forma oficial pela FUNAI, por uma co-
municação interna, que atribuiu à saída prematura
dos educadores ao “suposto” desejo das lideranças
indígenas.
No entanto, os argumentos utilizados pela
FUNAI no documento, procuram descaracterizar a
imagem de resistência indígena, apresentada pelos
próprios índios durante as aulas, como veremos a
seguir. “Supomos que esta maneira de passar os fa-
tos aos índios, que em sua maioria são
sonhadores e
fantasiosos
, tenha sido à base do descontentamento
contra o Sr. Egydio por parte dos líderes Atroari [...]”
(FUNAI, nº 41/86, 1986, p. 2, grifo nosso).
Em resposta a este documento, o casal
Egydio e Doroti Schwade escreveu alguns comentá-
rios demonstrando a sua perplexidade com as de-
clarações dadas pelo Sr. Raimundo Nonato Corrêa,
que na época era o responsável pelo Núcleo de Apoio
Waimiri-Atroari – NAWA, apontando, segundo eles,
como um homem “grosseiro, traiçoeiro, subserviente
e cínico” (Comentário de Egydio e Doroti Schwade
sobre o Relatório do Sr. Raimundo Nonato Corrêa,
1987, p. 1).
Ainda de acordo com os missionários, sua es-
tadia na aldeia com seus quatro filhos pequenos, ser-
viria para atestar a boa relação que eles mantinham
com os índios, além disso, contribuiria desconstruir
a imagem passada pela FUNAI, que os índios eram
hostis ao homem branco. Isso pode ser observado
em um fragmento do comentário logo abaixo:
[...] tudo isso obedece à mesma tática, tantas vezes
utilizada pelas autoridades da FUNAI, de denegrir
a imagem desses índios para acobertar a verdadei-
ra história dos 20 anos de FUNAI junto a este povo




