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Eduardo Gomes da Silva Filho

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Atroari, essas lembranças ficaram confinadas ao si-

lêncio durante muito tempo, mas foram transmiti-

das oralmente de geração em geração, até o momen-

to em que houve o devido estímulo às lembranças

do grupo.

Por outro lado, a oralidade é fundamental

para a manutenção dessas memórias, a escrita – do

ponto de vista dos índios – surgiu no processo com-

plementar a transmissão oral segundo seus costu-

mes. Elas foram produzidas no âmbito do programa

de alfabetização como uma nova fonte contemporâ-

nea que serve para escrever a história desse povo,

a partir de contexto genocida e tutelar por parte do

Exército brasileiro, FUNAI e de grupos empresariais.

Por sua vez, a FUNAI já havia expedido,

desde o mês de março de 1985, a autorização nº

014/85, para que Egydio e Doroti pudessem realizar

por um período de dois anos a pesquisa etnológica

na área indígena. Mas, depois voltaria atrás por cau-

sa da repercussão do trabalho dos missionários, que

aos olhos da FUNAI foram negativas.

120

No entanto,

o que encontramos no relatório diverge da opinião

da FUNAI, pois as práticas que são descritas no do-

cumento, denotam uma evolução muito grande no

processo da alfabetização indígena promovida pelos

missionários.

Além disso, o passo a passo dos fundamentos

teórico-filosóficos da prática educacional missioná-

ria é evidenciado com muita propriedade por eles,

como podemos observar nesta passagem abaixo:

Continua o esforço de nos explicarmos a nós e eles

a si próprios, com a motivação da escrita. Eles for-

necem as palavras-chaves dos seus mitos, de suas

120 Essa opinião da FUNAI foi provavelmente externada a partir da reper-

cussão que as memórias trazidas à tona pelos desenhos dos índios,

começaram a chamar a atenção da sociedade civil, por intermédio da

ação dos missionários, do Marewa e do CIMI.